Hotelaria e imobiliário

Gonçalo Rebelo de Almeida

Depois da crise sentida entre 2009 e 2013 e da tendência de recuperação iniciada em 2014, podemos dizer que 2016 foi um ano positivo para o turismo em Portugal. E que há boas perspetivas para 2017. O sector vive tempos de grande dinamismo, com adequada promoção externa e reconhecimento internacional, bons índices de satisfação junto dos que nos visitam, atenuação da sazonalidade, melhores infraestruturas, novas rotas aéreas. Mas também há desafios.

Sendo um grupo que, mesmo nos anos mais difíceis, manteve o ritmo de investimento e a abertura de novos hotéis, continuamos à procura de projetos para expandir a marca Vila Galé. Há três anos que tentamos ter um segundo hotel em Lisboa. Mas a valorização excessiva dos imóveis, em especial no centro de cidades como Lisboa e Porto, têm travado esta ambição. Os valores praticados na venda de activos imobiliários já não são viáveis para a operação hoteleira.

Discordo de quem diz que há turistas e turismo a mais e considero que ainda há espaço para mais hotéis em determinadas localizações, mas é preciso que os activos entrem no mercado cumprindo pressupostos que deixem margem para viabilizar as operações hoteleiras e o retorno do capital investido.

Acredito que o sucesso de Portugal também passa pela valorização da nossa riqueza histórica e cultural até porque é um fator verdadeiramente único, não copiável.

Desta forma, estamos a atribuir novos usos ao património dando-lhe ao mesmo tempo um sentido económico viável, mesmo que isso signifique enfrentar a morosidade e a burocracia que alguns destes processos representam. Trata-se, acima de tudo, de confirmar e reforçar o impacto positivo que o turismo tem tido em Portugal. Recuperar edifícios e investir em novos projetos é contribuir para renovar as cidades, o seu comércio, o seu tecido social, para melhorar as condições de vida dos moradores – com mais segurança, mais zonas verdes, mais lazer –, para revitalizar a economia local e gerar emprego.

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