Casa de Encosturas

De Cabeceiras de Basto para o Mundo

\\ Texto Filomena Abreu
\\ Fotografia ©PMC

«O segredo da qualidade dos produtos está na investigação»

Ele era analista de sistemas na banca, ela enfermeira. Com o aproximar da reforma começaram a planear a merecida vida de descanso. Mas, num instante, tudo sofreu uma reviravolta. Um dos filhos, que é arquiteto, aceitou uma proposta de trabalho e mudou-se do Porto para a terra natal da mãe, Cabeceiras de Basto (vila no distrito de Braga, Portugal). Foi o primeiro passo rumo a um novo futuro. Às vezes os planos parecem ser concebidos com o único propósito de serem desfeitos. Maria Beltrão e António Vaz Maia tiveram a certeza disso quando, há 14 anos, visitaram, pela primeira vez, a Casa de Encosturas, em Cabeceiras de Basto, por recomendação do filho.

Trufas com licor

Compotas

«Apaixonámo-nos logo por ela», recorda António. «Quando nos mudámos para aqui, em 2002, o nosso objetivo era refugiarmo-nos no sossego do campo…», explica Maria. Contudo, a mudança não significou afinal um afastamento da azáfama da cidade do Porto, mas antes um aproximar a todo o mundo. «Como a casa era muito grande pensámos em aproveitá-la. A minha mulher sempre gostou de fazer compotas e outros doces e os nossos filhos começaram a incentivá-la. O terreno já tinha algumas árvores de fruto e possuía espaço suficiente para plantar novas», explica António. Maria acrescenta: «E nós tínhamos tempo suficiente para fazermos o que quiséssemos». Terreno fértil, tempo, dedicação e espírito inovador. Foi o suficiente para que este casal começasse um negócio sem se ter dado conta. Uma espécie de mistura mágica que levou o nome Casa de Encosturas além-fronteiras. 

Licores

António Vaz Maia e Maria Beltrão, proprietários da Casa de Encosturas

Produzem cerca de 20 variedades de licores.

«O segredo da qualidade dos produtos está na investigação», afiança António. A esposa explica o processo: «Tudo começa com uma ideia. Depois, faço pesquisa». E é assim que surgem os maravilhosos produtos tradicionais como o licor e a geleia de camélia. Este último tem uma história associada que merece ser contada. No ano passado, António recebeu uma chamada de França que não chegou a atender. Passados uns minutos, a filha liga-lhe. Havia recebido também ela um telefonema de França. Era Thierry Hernandez, o diretor do Bar Hotel Plaza Athénée, em Paris, que iria criar uma bebida única para ser servida num cocktail da marca Chanel em Tóquio, no Japão. E queria fazê-lo utilizando o licor de Camélia com o rótulo das Encosturas. A notícia agradou a toda a família e ajudou, ainda mais, a vincar a qualidade desta casa.

Além deste, Maria Beltrão produz também o licor de funcho, o de orquídea e o de tamarilho, entre outros. O doce de codorno é também uma das especialidades que se podem encontrar na loja online da Casa de Encosturas. «Lutamos para fazer coisas diferentes. E tudo o que temos é feito com tanto carinho que é difícil, até para mim que os faço, dizer qual é o meu preferido», diz Maria, sincera.

Maria Beltrão

Rodeados pela natureza, marido e mulher dedicam-se ao cultivo da terra, de onde brotam as ervas aromáticas e os tão apreciados e saborosos frutos que servem de matéria-prima para as compotas, licores e marmeladas. Para os filhos e nora, Cláudia, Hugo e Mónica, respetivamente, ficam as tarefas ligadas à gestão e promoção do negócio. Um trabalho em equipa que os leva a marcar presença nas principais feiras de artesanato locais e também internacionais. A qualidade dos produtos não demorou a ser reconhecida e as encomendas e os prémios começaram a surgir. Atualmente, produzem cerca de 20 variedades de licores, onde se inserem algumas edições temáticas apresentadas em épocas festivas como no Natal ou na Páscoa. E depois há as maravilhosas compotas e as marmeladas. As trufas são outra especialidade da casa (essas já são fabricadas em Matosinhos).

A Casa de Encosturas é detentora da certificação de Unidade Produtiva Artesanal, um documento do Ministério da Agricultura e do Instituto de Emprego e Formação Profissional, que dá ao consumidor a garantia de que está a consumir produtos artesanais, sem corantes nem conservantes. Mas o melhor dos certificados é, na nossa opinião, a simpatia de António e de Maria, que muito combina com a bela casa de onde saem todas as delícias de Encosturas.

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