Fátima

Cem anos depois

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia Direitos Reservados

O Santuário de Fátima é, por excelência, um local de peregrinação.

A 13 de Maio de 1917, três crianças (Lúcia, Jacinta e Francisco) cuidavam de um pequeno rebanho, no lugar da Cova da Iria, em Fátima, quando foram surpreendidas pela aparição de uma «Senhora mais brilhante que o sol». Segundo reza a História, ou a fé de todos quantos acreditam, outras vezes apareceu, sendo que numa delas a Senhora pediu: «Quero dizer-te que façam aqui uma capela em minha honra».

Volvidos que são cem anos, a Capelinha das Aparições está desde 1919 num dos locais onde as aparições se deram, mas o número crescente de peregrinos fez com que outras construções se erigissem, como a Basílica de Nossa Senhora do Rosário, cuja construção iniciou em 1928, e a Igreja da Santíssima Trindade, concluída em 2007 e elevada à categoria de basílica em 2012. Enquanto o Santuário crescia, formava-se uma vila (hoje cidade) nas redondezas, atraindo pessoas que de alguma forma estavam envolvidas com as atividades do Santuário ou se ocupavam num comércio de bens e serviços voltados principalmente para os peregrinos.

Papa Francisco

Nossa Senhora de Fátima

Francisco e Jacinta Marto

O Santuário de Fátima é, por excelência, um local de peregrinação, preservando a memória dos acontecimentos que levaram à sua fundação e que provocaram desde logo um grande impacto na devoção popular. A sua relevância do ponto de vista religioso é há muito reconhecida e por vontade da Sé Apostólica este é um Santuário Nacional. É também um dos mais importantes santuários marianos do mundo e um dos maiores destinos internacionais de turismo religioso, recebendo cerca de seis milhões de visitantes por ano, cujas motivações parecem ser a devoção, a promessa e a busca de um ambiente espiritual e calmo. Foi distinguido com duas rosas de ouro papais e visitado pelo Papa Paulo VI (1967), Papa João Paulo II (1982, 1991 e 2000) e Papa Bento XVI (2010).

Este ano, assinalando o Centenário das Aparições na Cova da Iria e a convite do Presidente da República, o Papa Francisco, que tem uma forte devoção mariana, virá em peregrinação ao Santuário de Fátima nos dias 12 e 13 de Maio, onde são esperados cerca de um milhão de peregrinos. Grande parte deles percorre um longo caminho a pé, movidos por promessas, agradecimentos, pela fé, convívio, sacrifício e pela vontade de ver de perto um Papa que apregoa a simplicidade e a humildade, que está ao lado do povo mais sofrido, que não teme a verdade e a perseguição e que tem apaixonado crentes e não crentes. Quanto a Francisco e Jacinta, beatificados pelo Papa João Paulo II a 13 de maio de 2000, serão canonizados pelo Papa Francisco, aquando da sua visita a Portugal, processo que estava dependente do reconhecimento de um milagre, que aconteceu em 2013, com a cura de uma criança brasileira. Jacinta será, assim, a mais nova santa não-mártir da Igreja, com apenas nove anos.

Encarado inicialmente com relutância, mas reconhecido como válido em 1930, o fenómeno de Fátima foi-se espalhando e aquela pequena aldeia do distrito de Leiria transformou-se no ‘Altar do Mundo’, para onde este ano os olhares se voltarão com mais veemência.

Francisco e Jacinta Marto

Nasceram em Aljustrel. Francisco no dia 11 de Junho de 1908 e Jacinta no dia 5 de Março de 1910. Ambos foram batizados na paróquia de Fátima. Francisco e Jacinta Marto eram os mais novos dos sete filhos de Manuel Pedro Marto e de Olímpia de Jesus, e primos de Lúcia dos Santos (1907-2005).

Cedo começaram a pastorear, juntamente com a prima Lúcia, o rebanho dos seus pais. Os três pastorinhos vêem um Anjo por três vezes, que os convidou à adoração a Deus. A 13 de Maio de 1917, foram visitados, na Cova da Iria, pela Virgem Maria, que lhes pediu que ali voltassem a cada dia 13 até Outubro. No curso dos seis encontros, a Senhora convida-os a comprometerem-se com a conversão dos homens, pela oração do rosário, pelo sacrifício e pela consagração ao Coração Imaculado. As vidas de Francisco, Jacinta e Lúcia transformaram-se definitivamente à luz da Mensagem da «Senhora mais brilhante que o sol».

Como a Senhora havia anunciado – «a Jacinta e o Francisco levo-os em breve. Mas tu [Lúcia] ficas cá mais algum tempo» –, Francisco e Jacinta morrem pouco tempo depois, vítimas da epidemia broncopneumónica.

Em Fátima, a 13 de Maio de 2000, o Papa João Paulo II beatificou-os, tendo já antes, em 1989, decretado a «heroicidade das virtudes e a maturidade de fé de crianças não-mártires», abrindo o precedente para o reconhecimento da sua santidade. No dia 20 de Abril de 2017, no Palácio Apostólico do Vaticano, o Papa Francisco anunciou que Francisco e Jacinta Marto seriam canonizados no Santuário de Fátima, a 13 de Maio.

PARTILHAR O ARTIGO \\