HLane Royal National Park

Paisagem, vida selvagem e tradição

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia ©PMC

Está a planear uma viagem selvagem?

Nesta edição, visitámos mais um parque de vida selvagem – Hlane Royal National Park, na Suazilândia. O nome – que significa deserto – foi-lhe atribuído pelo rei Sobhuza II, antes de ter passado a área protegida (este local era utilizado para a caça). Com cerca de 30.000 hectares de terreno, a maior área protegida do país, vários animais presenteiam os visitantes quando ousam manifestar a sua presença. Nesta visita foi possível apreciar a beleza paisagística, que muito nos transmite, e a pureza do silêncio quando só o cantarolar das aves se expressa. Observámos rinocerontes, muitos, mesmo muitos, que a poucos passos de nós faziam estremecer o solo, com o seu peso e passos abruptos. E os pássaros descansavam sobre as costas deles. Também as impalas, leões, hipopótamos, macacos e muitas aves nos saudaram. 

Partimos de Maputo e pouco mais de duas horas depois estávamos na Suazilândia. A paisagem pelo caminho é adorável, o que faz com que a viagem não se torne cansativa. Para os que pretendem ir diretamente do seu país de origem para a Suazilândia, quando chegarem ao destino verão, de igual modo, belíssimas paisagens e terão tempo para visitar os pontos turísticos do país. De tão pequeno que o país é rapidamente se visita tudo. E, claro, o Hlane Royal National Park é um dos locais de paragem obrigatória. Existem outros parques de vida selvagem para se ver (o Mlilwane Game Sanctuary e a Mkhaya Game Reserve), mas com esta dimensão, não, apenas este.

A visita ao parque pode ser feita com a própria viatura, se desejar, e à hora que quiser. No entanto, e porque nos aconselharam na recepção, optámos por fazer a visita guiada, nos carros próprios do parque. Apesar de ter hora fixa de saída, a escolha foi certeira. Os percursos estavam preparados para jipes, pois os buracos na estrada eram profundos e uma viatura ligeira não conseguiria ter percorrido o parque. À medida que se foi seguindo a trajectória foi-se encontrando pequenas cercas – servem para dividir as áreas dos animais.

Os recursos naturais são muitos. Se esta viagem passar por ficar hospedado no parque, existem várias opções. Pode acampar no Ndlovu Camp, a cerca de um quilómetro da estrada de Simunye, que é o lugar perfeito para alojamento em grupo. E se tiver sorte nem precisará de sair do acampamento para poder fotografar algumas das espécies do parque. Ainda neste local pode usufruir do Restaurante Ndlovu, cuja área semi-aberta e o deck amplo, fazem do cenário um espaço mais atrativo, e as vistas sobre o agitado waterhole, onde se encontram os hipopótamos, fá-lo-ão render-se ao sítio. No Bhubesi Camp – um self-catering acampamento, que fica nas margens do rio Mbuluzane –, encontram-se seis casas de campo, a 16 quilómetros do anterior acampamento, e é o lugar ideal para um retiro silencioso, em torno dos arbustos. 

Ao nascer do sol abrem-se os portões. Os solos, escuros e férteis, as árvores, compostas e despidas, e a variedade animal espera pela visita dos humanos. A fauna abundante fascina.  O clima temperado é apetecível. A savana, de florestas, pastagens e ribeiros, abriga os seres selvagens: leões, elefantes, hienas, rinocerontes brancos, girafas, hipopótamos, zebras, gnus, impalas, cobras, entre outros.

A Suazilândia é um dos países mais pequenos de África, onde governa a última monarquia absolutista africana. Tem 12 fronteiras, por isso em qualquer parte do país o acesso é garantido. Depois de entrar, aprecie a beleza da terra, das paisagens, dos campos de cana-de-açúcar, das pessoas. Visite a capital – Mbabane. Deslumbre-se com as montanhas verdes, como a Nyonyane, com 1860 metros. Conheça um pouco da história daquele país. A título de curiosidade, há uma tradição que ainda se mantém: o rei da Suazilândia, que atualmente é Mswati III, filho do Rei Sobhula II, todos os anos escolhe uma virgem, oriunda de uma das tribos do país, para casar. Ou seja, realiza-se um evento público, onde as jovens ‘candidatas’ desfilam, quase desnudas, e o rei escolhe a mulher que vai fazer parte desta antiga tradição do país.

Mas agora... silêncio. É hora de observar a vida selvagem. Seja pela manhã, à tarde, ou até mesmo ao final do dia, com o pôr-do-sol. De câmara na mão, captar-se-ão os momentos de uma experiência memorável.

 

PARTILHAR O ARTIGO \\