A Nova Rota da Seda

Paulo Morais

Presidente da Frente Cívica

A fisionomia económica do mundo irá mudar: a iniciativa do governo chinês «Belt and Road» será a matriz da nova ordem económica mundial.

As rotas comerciais previstas no programa abrangem mais de 60 países. Projectam-se a partir da Ásia para a Europa através do Sudeste Asiático, Ásia do Sul, Ásia Central, Ásia Ocidental e Médio Oriente. Representarão cerca de 30% do PIB global e mais de 35% do comércio mundial. Estima-se que, em 2050, a região «Belt and Road» contribua com 80% do crescimento do PIB mundial e projecte três mil milhões de pessoas para a classe média.

Os atores centrais deste novo modelo de desenvolvimento serão os dignitários chineses, sob a liderança do presidente Xi Jinping. E o primeiro dos objetivos será o domínio da energia.

A China será doravante pioneira nas energias renováveis, irá porventura passar da situação de um dos países mais poluentes do mundo para o de maior produtor de energias limpas e renováveis, dentro e fora da China. Esta potência já possui aliás um enorme activo no sector energético, de Angola ou Moçambique em África, passando pela porta de entrada preferencial na Europa, Portugal; ou até nos Estados Unidos. As piores consequências irão sentir-se no Médio Oriente e serão devastadoras.

Os efeitos deste fenómeno anunciado far-se-ão sentir a todos os níveis. Desde logo, nos usos e costumes predominantes. Os milhões de chineses emigrados pelo mundo irão assumir um peso social e político acrescido, a própria estética das cidades mudará.

Com pezinhos de lã, os chineses terão instalado novas rotas da seda… as rotas da energia.

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