Paupério

Biscoitos e bolachas que são uma delícia

\\ Texto Filomena Abreu
\\ Fotografia ©Daniel Camacho

Na mais antiga fábrica de Valongo, tudo parece envolto numa aura ancestral. O cheirinho é o mesmo que se sentia há 143 anos. A qualidade também. E quando se entra na loja dos biscoitos Paupério percebe-se que a história se fez tradição e que esta não se perdeu ao longo das seis gerações, que guiaram o destino da empresa familiar. Muito pelo contrário. Houve uma valorização, principalmente por parte dos clientes. As latas antigas e o sabor inconfundível continuam a atrair olhares, a fazer com que se recordem memórias e a prender os paladares mais exigentes. Tem sido assim que esta marca vintage tem ganhado cada vez mais adeptos, nacionais, mas também estrangeiros.

Crescimento do turismo em Portugal levou a uma maior procura da mercearia fina.

Bons, bons são os torcidinhos. Ou serão antes as bolachas de baunilha? É difícil eleger apenas um preferido entre os biscoitos e bolachas que nos põem à disposição. Na Paupério, a mais antiga fábrica de Valongo, no Porto, ainda em laboração, tudo tem um aspeto delicioso. A começar pelo cheiro que emana antes de se entrar na loja, a antecâmara para a simples fábrica e para o belíssimo escritório.

Os 143 anos de existência devem-se ao facto, assegura Hélio Rebelo, o administrador, «de esta fábrica ter conseguido permanecer uma empresa familiar». Hoje, a fábrica já vai na sexta geração. Mas sem o sucesso das antigas receitas, nada resultaria. «Se não houvesse qualidade do produto, se não houvesse respeito pela forma como sempre se fez e continua a fazer biscoitos e bolachas, naturalmente que, com as devidas adaptações a que a legislação hoje em dia nos obriga, seria difícil».

A Paupério nasceu em 1874, quando dois amigos decidiram criar uma fábrica de pão e biscoitos, a Paupério & Companhia. A ideia era aproveitar as farinhas moídas na serra de Valongo. Porém a união acabou por complicar-se, e os Figueiras ficaram com o negócio e os Paupérios apenas emprestaram o nome.

«Atualmente faturamos cerca de 1 milhão e 100 mil euros, cerca de 10% para o mercado internacional»

«No decorrer destes 143 anos o que aconteceu foi que tivemos sempre a sorte de nestas gerações a empresa nunca ter estado na mão de mais do que duas ou três pessoas», frisa o administrador. Hélio justifica que «tendo know-how instalado foi muito fácil chegar aos dias de hoje». O mercado atual, decididamente inclinado para o vintage, também deu uma preciosa ajuda para que a empresa não parasse de crescer. Juntou-se depois o crescimento do turismo em Portugal, que levou a uma maior procura da mercearia fina, permitindo assim o crescimento da produção. «Os nossos biscoitos e as nossas bolachas não são destinados ao grande consumo. Nós reconhecemos que as grandes superfícies têm produtos muito mais acessíveis do que os nossos. Os nossos sortidos são para oferta, são prendas, são lembranças», argumenta Hélio.

No país existem três lojas próprias de venda dos produtos Paupério. Na loja de fábrica, em Valongo, numa outra em Rio Tinto e também no Bom Sucesso, Porto.

Tudo isto ajuda o administrador a dizer, sem medo, que o nome nunca esteve tão forte. «A marca vende por si. E as pessoas têm noção de que quando abrem sortidos dos nossos vão encontrar qualidade no produto». E a qualidade começa nas embalagens que ainda são feitas segundo o design tradicional. Algumas delas em lata. «Atualmente faturamos cerca de 1 milhão e 100 mil euros, cerca de 10% para o mercado internacional, que é um mercado em que mais vamos apostar agora». Esse ‘tiro’ passou por ter tido aprovada uma candidatura aos fundos comunitários do Portugal 2020. «Tivemos a sorte de ver reconhecido o nosso mérito para trabalharmos melhor o mercado internacional. Vamos por isso exportar para países do centro da Europa, onde a diáspora portuguesa está presente, através dos emigrantes. Desta forma, chegaremos a locais onde não iríamos sem esta ajuda financeira», confessa com satisfação o administrador.

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