Anselmo Mendes

Amor pela terra e pelos néctares de Baco

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia Direitos Reservados

Nasceu em Monção e, quando se mudou para Melgaço, nem as ‘rivalidades’ entre as duas terras o fizeram desistir dos seus sonhos: queria um projeto próprio ligado aos vinhos. Desde criança que a cultura da vinha estava muito enraizada na sua vida. Estudou Enologia. Hoje, é uma das figuras vínicas de Portugal. Em 1997, comprou a propriedade, na aldeia de Penso, em Melgaço, onde iniciou a sua produção vínica – local onde nos recebeu. A casta Alvarinho, em Monção e Melgaço, acompanhou-o nesta realização. Anselmo foi aplicando todo o conhecimento adquirido em cada novo vinho produzido, desde os Vinhos Verdes, passando pelos do Douro, Dão, Alentejo, até aos do Brasil e Argentina. O seu percurso, como enólogo, já leva uma vasta experiência vinícola. 

Atualmente está a explorar mais o Alvarinho, em sete solos diferentes, e pretende criar um centro de experiências do alvarinho.

Os primeiros vinhos, fruto de dez anos de estudo da fermentação em madeira, foram produzidos na casa que adquiriu, na aldeia de Penso. Mais tarde, a adega com 1.100 m2, no Vale do Minho, que serve de armazenamento dos vinhos e local de investigação, passou a ser o local de produção e é, agora, onde todo o vinho ganha gosto. Anselmo faz experiências. De cada vinha saem novos aromas. Trata-se de vinhos produzidos a partir de três castas, em três das zonas da Região Demarcada dos Verdes: Alvarinho, no Vale do Minho; Loureiro, no Vale do Lima; e Avesso, no Vale do Douro. Sendo, na maioria das vezes, a casta Alvarinho a que mais seduz o enólogo. 

Parte da fermentação da uva Alvarinho é feita em barricas de madeira, ou usando técnicas de vinificação mais antigas, como a curtimenta. Os vinhos de Anselmo Mendes distinguem-se pela frescura e elegância. O segundo vinho que Anselmo passou a produzir foi o Muros Antigos. Mais tarde, vai para a zona do Vale do Lima e produz o Loureiro. Em 2008, criou o vinho O Contacto. Mas antes, em 2005, lançou um vinho com curtimenta - que é fermentado com as películas (como os tintos) e cuja cor é mais amarelada. No ano de 2009, lançou o Curtimenta e o Parcela Única – dois vinhos de topo. Em 2012, produziu um Pardusco, com uma base de um alvarelhão, pedral e caínho, de castas tintas da região – pardusco era o nome que davam aos vinhos tintos produzidos no século XIV e que eram exportados para a Inglaterra. O vinho Expressões surge já em 2013. E tantos outros foram produzidos, como o Tempo, com curtimenta total, em 2015. Anselmo gosta de experiências.

Atualmente está a explorar mais o Alvarinho, em sete solos diferentes, e pretende criar um centro de experiências do alvarinho. Como Anselmo nos pôde transmitir, «fazer vinho, acima de tudo, é conhecimento, a arte é apenas o pormenor de o fazer diferente». E acrescentou: «Não fazemos ciência, mas fazemos investigação experimental». 

Os pais e os avós de Anselmo eram agricultores em Monção. Desde criança que as férias do enólogo eram passadas a trabalhar a agricultura. «Quando tinha uns sete anos, ia da casa dos meus pais à dos meus avós, e, pelo caminho, eu, com uma reguazinha de 20 centímetros, ia medindo as plantas, o seu tamanho. E passado uns dias pensava: Como é que isto cresce oito centímetros em poucos dias? Depois colocava água numa para comparar com a outra. Para mim havia um fenómeno, cada planta ia crescendo». E assim Anselmo foi-se apaixonando pela vinha e pelo vinho. Gosta do campo, das plantas, das vinhas e de viajar a trabalho.  É produtor vinícola e consultor da área. Um aficionado pelo Alvarinho. Também ajudou a desenvolver o projeto Adega Mãe.

Na vida de Anselmo é vinho de manha há noite. Tem 100 hectares de exploração de vinhas, produz cerca de 600.000 garrafas/ano e a tendência parece ser a de crescimento. Os vinhos de Anselmo vão dos 5€ aos 70€, venda ao público, e 70% da produção vai para exportação (Suécia, onde já se vendem cerca de 130 mil garrafas; Canadá, Bélgica, Estados Unidos, Brasil, Rússia... num total de 32 países). Os restantes 30% ficam para o mercado nacional. Para breve Anselmo quer lançar um alvarelhão – uma casta muito antiga, que existe em Trás-os-Montes, no Douro –, um alvarelhão branco, mesmo branquinho, que até lhe chama, em tom de brincadeira, o Invisível do Minho.

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