Adega Regional

Alto Alentejo à mesa

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia ©PMC

Elvas, cidade Património da Unesco, desde 2012, detentora de uma beleza paisagística única e inconfundível, com a história portuguesa enraizada no sangue das gentes e nas paredes das muralhas, traz consigo as iguarias desta terra alentejana. Aqui, damos a conhecer um dos espaços de eleição, situado dentro dos muros do castelo, o Adega Regional – que surgiu na cidade no ano de 2007 como um restaurante pequeno, de apenas 20 lugares. Em 2010, João Tinoco, proprietário do espaço, adquiriu um local maior, com cerca de 80 lugares. Não se sentindo realizado, em 2015, comprou um antigo lagar de azeite, do ano 1800, e tornou-o neste espaço, que hoje vemos, com ocupação para 160 lugares.

Desde os 14 anos, João Tinoco trabalha na área da restauração – conta com mais de 30 anos de experiência – e está, há dez anos, com o projeto Adega Regional. O lugar que outrora fora um lagar de azeite, e também chegou a ser uma carpintaria e um armazém de ferro, hoje é um restaurante regional alentejano. O crescimento do restaurante não só se verificou ao nível da estrutura, mas também ao nível da procura, pois, aqui, param os apreciadores da cozinha típica alentejana, sejam os clientes locais ou os turistas como ‘nuestros hermanos’, nossos vizinhos, vindos de Badajoz – não estivesse Elvas a 10 minutos da fronteira com esta cidade espanhola. «Sendo uma cidade com 10.000 habitantes, é normal que as pessoas venham cá», refere João.

Ainda que, no recinto histórico da muralha da cidade, sejam poucos os estabelecimentos de restauração e a oferta se faça pequena para a elevada procura, o Adega tenta receber todos os visitantes, de forma a oferecer-lhes a melhor qualidade gastronómica da região.

E, na hora de escolher a ementa, a diversidade é muita. Na gastronomia alentejana tem-se: as sopas à moda portuguesa e espanhola – na altura de Verão, o gaspacho, que é uma sopa fria, difere apenas na textura (a portuguesa contém os ingredientes aos pedaços, na espanhola estão triturados). De igual modo o Borrego Assado e o Porco Preto são servidos nesta casa, assim como o Naco de Vitela fatiada, uma das carnes nobres. Para outros gostos, a carta sugere Arroz de Marisco, Polvo e Amêijoas; Bacalhau Dourado (imagem 4), que é refogado somente em azeite, adicionando-se-lhe ovos temperados, com sal e pimenta, e a batata palha. Também as Migas de Coentros e Porco com Picles (imagem 3) é um dos pratos requisitados no Adega. E a sobremesa?! Hmm, qual será?! A eleição vai para a Sericaia com Ameixa de Elvas – um dos pratos típicos da cidade.

E para os que não têm hora certa para comer, o Adega Regional tem sempre as portas da casa abertas durante todo o dia, das 12h00 às 23h00, e serve a qualquer hora. Aos fins-de-semana, por norma, só funciona por marcação, devido ao excesso de procura. O Adega está dividido por zonas: dispõe de um espaço para grupos ou reuniões, numa sala mais privada; tem uma sala com teto panorâmico em vidro, que à noite se abre e transforma o espaço numa esplanada; tem uma zona de bar, essencialmente para as pessoas descontraírem antes da refeição; e dispõe, ainda, de um terraço ao ar livre para eventos. João criou também, na parte interior do edifício, um espaço de lazer, evitando, assim, que os fumadores tenham de sair do restaurante para fumar. João faz por estar sempre a inovar: ora na carta, ora no mobiliário, ora na decoração do espaço – não fosse ele o responsável por cada pormenor idealizado para o local. 

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