Amesterdão

Igualdade na diversidade

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia ©Tourism Amsterdam

A urbe dos canais imortaliza-se na mente de Espinoza, na mestria do pincel de Rembrandt e no belo sublime de Van Gogh.

Amesterdão é uma das mais belas e historicamente mais ricas cidades europeias. Com um carácter pitoresco, a urbe parece fluir ao ritmo zen da complexidade dos seus canais. E flui, de facto, no fervilhar de uma pluralidade de dimensões, quais velas de um moinho a garantir-lhe a força motriz. Esta cidade inteligente, na vanguarda das proezas ecológicas, tem na utilização sustentável das novas tecnologias o segredo do seu êxito. Por beneficiar de um ambiente sereno e dispor dos melhores museus e galerias de arte do continente, Amesterdão apresenta-se como um dos destinos ideais para pessoas de todas as idades. 

A cidade das tulipas rege-se intrinsecamente pelo princípio da igualdade. A diversidade cosmopolita das cores e padrões de vida fundamenta-se nessa regra, com que acolhe turistas e executivos. Dinâmica, moderna e clássica, a cidade está turisticamente preparada, oferecendo um contraste de artes e culturas. A Casa de Anne Frank, o Hortus Botanicus Amsterdam, o museu Heineken Experience da fábrica de cerveja homónima ou a prestigiada sala de concertos Concertgebouw, sede da Orquesta Real, extasiam a sensibilidade dos visitantes. A Amsterdam ArenA, ou os 93% da população de Amesterdão que utiliza a bicicleta, vincam a sua faceta mais descontraída e desportista. Já os coffee shops e o célebre Red Light District permitem vislumbrar uma dimensão mais alternativa e ousada, imortalizada na canção de Jacques Brel, «Dans le Port d’Amsterdam». 

De uma pequena comunidade de pescadores de uma represa do rio Amstel, Amesterdão cresceu durante os últimos séculos, tornando-se num dos maiores portos comerciais do mundo, tendo chegado a ser o principal centro financeiro e de diamantes mundial. Dinâmica a nível financeiro e comercial, berço de ideias, ousada, livre, cidade das artes e dos negócios, a urbe dos canais imortaliza-se na mente de Espinoza, na mestria do pincel de Rembrandt patente no Rijksmuseum e no belo sublime de Van Gogh exposto no museu que recebeu o seu nome. A cidade é tomada por um espírito dionisíaco a cada 30 de Abril. Celebra-se o Koninginnedag e os habitantes vendem nas ruas todo tipo de artigos, principalmente objetos de casa que já não utilizam. Em cada porta e nas praças surgem bancas e vendedores, a festa inebria-lhes as ruas e os canais, abarrotando-os de gente vestida da cor da casa real, o laranja, num ambiente feérico. De novo Amesterdão extasia, desta vez, na vertente mais originária e primordial cantada por Brel.

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