Alexander Laut

«Fazer joias é como uma droga para mim»

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia Direitos Reservados

O fascínio pelas joias emprestou-lho a mãe quando ainda era criança e, tal como ela, formou-se em medicina. Emigrou para os EUA e exerceu ‘mil e uma’ profissões. A paixão pelas joias reacendeu nas ruas de Honolulu. Mudou-se para a Tailândia e, apesar das dificuldades, as suas joias são hoje reconhecidas em todo o mundo. Apaixonou-se por Portugal – pelas pessoas, arquitetura, clima, gastronomia, pelos bons vinhos – e o seu encantamento foi de tal ordem que Alexander Laut escolheu Lisboa para estabelecer uma das suas poucas boutiques, no Olissippo Lapa Palace Hotel. «Decidi que um dia voltaria a Portugal e não como um turista, e o meu sonho tornou-se realidade».

«Espero que, quando as minhas peças favoritas me abandonem, sejam realmente amadas e apreciadas pelas pessoas que as vão usar»

Nasceu na Rússia. Que memórias guarda da sua infância?

Nasci em Moscovo, numa família que não tinha qualquer ligação com o design nem com o negócio de joalharia. O meu pai foi investigador científico e a minha mãe foi médica. Apesar de os meus pais trabalharem muito, passávamos os fins-de-semana sempre juntos, a visitar museus de arte, exibições ou teatros.

Quando é que começou o seu fascínio por joias e pedras preciosas?

Tenho de admitir que fui inspirado pelo amor que a minha mãe tinha pela alta joalharia. Na minha imaginação, tentava pensar em designs incríveis e esperava que um dia eu próprio conseguisse criar uma peça de joalharia bela para a minha querida mãe.

Tem formação em medicina, foi músico, professor de Russo, garçom, gerente de restaurante, pintor... Estava à procura de algo que o fizesse realmente feliz?

Inscrevi-me na Faculdade de Medicina em Moscovo. Não vou dizer que gostei da profissão de médico, provavelmente porque estagiei em vários hospitais diferentes, onde vi muitas coisas horríveis. Em meados dos anos 80, emigrei para os EUA, na esperança de que a minha carreira continuasse lá, o que não foi o caso. Nessa altura um amigo do Havai ligou-me e resolvi ir lá. Assim que cheguei a Honolulu, apercebi-me intuitivamente de que este era o sítio para mim. No entanto, as poupanças que tinha levado da Rússia estavam a esgotar-se. Tinha de aceitar qualquer trabalho possível. (…) Nesse período da minha vida, gostava sobretudo de ver as montras das boutiques de joias. Às vezes comprava peças partidas ou irreparáveis para poder refazê-las como desejasse.

Este é o caminho?

Tenho orgulho pessoal em todas as minhas joias. Adoro e trato-as como bebés e espero que, quando as minhas peças favoritas me abandonem, sejam realmente amadas e apreciadas pelas pessoas que as vão usar. Algumas das minhas peças únicas de joalharia fina são vendidas em leilões mundialmente famosos, como Sotheby’s e Bonhams, por muito mais do que o preço estimado. Agora estou completamente convicto de que escolhi o caminho certo.

A sua empresa foi criada no Havai, e, apesar do sucesso atual, nem sempre foi fácil. Nunca lhe apeteceu desistir?

Em 2002, fundei a empresa de joalharia Alexander Laut. Algum tempo depois, tomei a decisão de deixar o Havai e mudei-me para a Tailândia. Apesar das coisas estarem a correr bem em alguns aspetos, ainda tive de sobreviver a vários anos verdadeiramente difíceis. Estava perto de ficar sem dinheiro e até os meus amigos próximos me disseram para desistir. Mas eu não conseguia fazer isso. Fazer joias é como uma droga para mim.

O que o inspira?

Para mim, a principal fonte é a pedra. Quando vejo uma joia, duas ou três ideias vêm imediatamente à mente. É assim que decido se quero comprar. Mais tarde, tento pensar na melhor maneira de acentuar a beleza natural da pedra e aqui posso inspirar-me nas muitas coisas que nos rodeiam. 

«Quando visitei Portugal pela primeira vez, há alguns anos, apaixonei-me imediatamente pelo país»

Quais são as suas pedras preciosas favoritas?

Safiras em geral são as minhas pedras preferidas. Nunca me cansarei de safiras, especialmente das azuis.

Qual foi a pedra mais valiosa com que trabalhou?

Mais do que qualquer outra, lembro-me de uma safira birmanesa de 33 quilates com uma cor deslumbrante e intensa de azul. Há sete anos que estou a tentar encontrar outra semelhante, mas nenhum comerciante conseguiu mostrar-me qualquer pedra remotamente parecida.

O Alexander cria as joias. Quem é que as produz?

Celebrei um contrato com um atelier de joias independente. A produção é gerida por um joalheiro mestre japonês. Encontrei-o quando mudei para Banguecoque. Foi-me dito que ele era muito caro, mas que era o melhor no que fazia. E é verdade!

Onde podemos encontrar as suas joias em Portugal?

Há um ano mudei-me para Portugal e pensei que seria uma boa ideia ter a minha própria boutique em Lisboa, pois planeava passar mais tempo lá e recentemente tive a sorte de encontrar um local perfeito no Olissippo Lapa Palace Hotel, que considero ser um dos melhores hotéis da Europa.

Portugal é um dos poucos países que tem uma loja Alexander Laut. Porquê Portugal?

Quando visitei Portugal pela primeira vez, há alguns anos, apaixonei-me imediatamente pelo país: pessoas amigáveis, arquitetura bonita, clima maravilhoso, gastronomia deliciosa e, com certeza, bons vinhos. Decidi que um dia voltaria a Portugal e não como um turista, e o meu sonho tornou-se realidade.

Que perspetivas tem da marca Alexander Laut em Portugal?

Uma das razões pelas quais abri a minha boutique no Olissippo Lapa Palace Hotel é que os meus clientes são principalmente estrangeiros: americanos, chineses, russos, franceses e árabes, que já podem estar familiarizados com as minhas peças. Por enquanto, sou um new player aqui, mas espero que um dia os colecionadores e conhecedores portugueses apreciem as minhas criações.

Existe alguma figura pública que gostaria de ver a usar uma das suas peças?

Do que sei, muitas celebridades mundiais escolheram Portugal como um lugar ideal para ficar, entre eles Monica Bellucci, John Malkovich e Madonna. Admiro realmente cada um deles e respeito-os pelo seu talento e pela sua beleza e ficaria feliz em vê-los a usar as minhas joias únicas.

 

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