Palácio do Raio

A safira da cidade de Braga

\\ Texto Filomena Abreu
\\ Fotografia Sérgio Freitas

A fachada sumptuosa, simetricamente ornamentada, e todo o seu estilo barroco joanino, do interior e do exterior, fazem deste edifício uma das mais belas obras de arquitetura civil da cidade de Braga. O Palácio do Raio, também conhecido como Casa do Mexicano, é hoje um Centro Interpretativo que nos oferece uma viagem no tempo, através do espólio da Santa Casa da Misericórdia, mas não só. São mais de 500 anos de história num espaço belíssimo que conheceu diversas utilidades ao longo dos anos.

O Palácio do Raio é hoje um Centro Interpretativo que nos oferece uma viagem no tempo.

Não sabemos qual o objetivo do comerciante João Duarte de Faria quando mandou construir uma nova residência, mas podemos deduzir que só poderia ambicionar algo verdadeiramente grandioso, que perdurasse na memória da cidade. Se o nosso palpite estiver certo, então o bracarense viu o seu desejo concretizado. O Palácio do Raio foi edificado entre os anos de 1752 e 1754. A obra foi encomendada a um dos melhores da época, o arquiteto André Soares. Contudo, aquilo que hoje vemos não corresponde, totalmente, ao projeto inicial.

O casarão não ficou na família Duarte de Faria por muitas gerações. Em 1853 foi vendido a Miguel José Raiovisconde de São Lázaro, ficando desde então conhecido como o Palácio do Raio. Oriundo de Braga, o visconde fez fortuna em Belém do Pará, no Brasil. As posses permitiram-lhe abrir, em 1863, a rua em frente ao seu palácio, de modo a ter uma melhor vista da sua casa. E também é a ele que se deve a decisão de cobrir a fachada com os impactantes azulejos azuis, que não faziam parte da criação original de André Soares. Porém, após o seu falecimento, em 1882, os seus herdeiros, devido a dificuldades económicas, acabaram por entregar a casa ao Banco do Minho, que, por sua vez, o revendeu, em outubro de 1883, à Santa Casa da Misericórdia, que nela instalou alguns serviços do Hospital de São Marcos


\\ Fotografia Luís Ferreira Alves


\\ Fotografia Luís Ferreira Alves


\\ Fotografia Sérgio Freitas

Mais tarde, em 1956, o palácio foi classificado como Imóvel de Interesse Público. Em 2015, depois da entidade proprietária realizar obras de restauro profundo, o edifício deu início a um novo capítulo, abrindo portas à cidade como Centro Interpretativo das Memórias da Misericórdia de Braga.

Atualmente, o belo Palácio do Raio pode ser visitado gratuitamente. No seu interior, além da escadaria, dos vitrais e dos tetos trabalhados, é possível aceder à história da Irmandade da Misericórdia e aos ricos arquivos dos séculos XVI, XVII e XVIII que apresentam os utensílios usados nos primórdios da medicina em Portugal. O acervo também integra documentação e peças alusivas à liturgia cristã, por exemplo, da Semana Santa, cuja procissão do Senhor – Ecce Homo – é todos os anos organizada pela Misericórdia.

No ano passado, o projeto de recuperação da joia azul da cidade, que tantos aplausos mereceu, acabou por vencer o Prémio Nacional de Reabilitação Urbana, na categoria Impacto Social.


\\ Fotografia Luís Ferreira Alves


\\ Fotografia Sérgio Freitas

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