SUSTENTABILIDADE

António Rebelo de Sousa

Economista

Muito se tem falado na necessidade de implementação de uma política de rigor orçamental e na sustentabilidade das nossas Finanças Públicas. Importa sublinhar que o atual Ministro das Finanças tem procurado concretizar esses objetivos, sendo, ainda, de reconhecer que, em termos gerais, os resultados obtidos, no decurso dos dois últimos anos, se apresentam, globalmente, positivos. Não apenas se registou uma redução no rácio défice orçamental/ PIB como também na relação  entre a Dívida Pública e o PIB e os dados macroeconómicos conheceram uma evolução altamente favorável: o nível de atividade económica cresceu substancialmente, o desemprego desceu mais do que alguma vez se esperaria e o próprio desequilíbrio externo conheceu uma trajetória que permite constatar uma alteração tendencialmente estrutural na nossa economia, designadamente ao nível do Sector de Bens Transacionáveis.

Daí não se apresentar correto adotar uma postura de desvalorização sistemática dos resultados obtidos pelo Executivo, o que é mais próprio de uma abordagem fundamentalista do que de uma análise séria e objetiva. Contudo, será sempre importante que o atual Governo não enverede por uma estratégia facilitista, aceitando compromissos que envolvam aumentos ao nível da despesa pública, partindo do pressuposto de que o ‘cenário macroeconómico’ se continuará a apresentar, necessariamente, tão favorável em 2018 e em 2019 como o foi no ano corrente.
Se houver uma crise económico-social em Espanha, para onde são canalizadas uma grande parte das nossas exportações, tudo mudará. Se houver um aumento do preço do petróleo (que talvez não venha a ocorrer de forma significativa, graças ao papel que os EUA poderão vir a desempenhar nesse domínio), muito terá que mudar.

Se houver abrandamento no crescimento da economia alemã e na economia francesa, muito terá que ser repensado em termos de projeções macroeconómicas nacionais.
E se se registar um ato terrorista no Algarve (que, como é óbvio, esperamos que não venha a acontecer), passaremos do céu para o purgatório, no que à atividade turística concerne.

Daí que se afigure importante manter sempre alguma ‘margem de manobra’ orçamental.
Pessimismo doentio? Não, antes bom senso, que se alimenta do realismo.
Nem mais, nem menos...

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