Diplomacia Cultural

Por mares nunca dantes navegados

Paulo Morais

Presidente da Frente Cívica

A universalidade é a característica mais marcante do povo português, nas palavras de Agostinho da Silva. Assim é, de facto: há mais de quinhentos anos que portugueses viajam por um mundo que tomam como seu e no qual difundem a sua matriz cultural e social. Mas, paradoxalmente, o Estado português não soube ainda aproveitar este potencial de afirmação.

A rede universal, que é constituída por cinco milhões de emigrantes e lusodescendentes, poderia ser utilizada como instrumento de difusão económica, social, mas, sobretudo, cultural. Deveriam proliferar escolas portuguesas pelo mundo, visando a divulgação da língua, da história e da cultura pátria. Seriam instrumentos de preservação cultural do país, junto das famílias de portugueses e dos lusodescendentes. Mas também de disseminação cultural, sobretudo nos países onde há portugueses em quantidade significativa. Estas escolas seriam, aliás, certamente rentáveis no plano económico. Nos casos em que tal se justificasse, poderia mesmo haver escolas com ensino integral em português. Os nossos compatriotas seriam, assim, beneficiários, mas também atores na promoção da cultura nacional.

Com que meios implementaria o Estado português este sistema? Com aqueles de que já hoje dispõe: instalações de consulados e embaixadas, bem como os recursos do Instituto Camões. Deveriam constituir-se para este fim parcerias com países de língua oficial portuguesa, nomeadamente através dos serviços públicos de televisão dos países lusófonos.

É tempo da universalidade chegar também à política: a uma política que entenda que a nossa alma (a cultura lusa) é bem maior que o nosso chão.  

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