Quinta do Piloto

Os moscatéis premium

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia ©Nuno Almendra

A Quinta do Piloto é, como tantas outras, detentora de um projeto vinícola de grande expansão e notoriedade em Portugal. Ela é mais um sonho trazido e realizado por uma família tradicional portuguesa, ao longo de um século. E... é em território nacional que ela vai passando de geração em geração, estando, atualmente, a quarta geração à frente do projeto. A Villas&Golfe foi conhecer a quinta e quem por detrás dela se encontra. Hoje, é Filipe Cardoso que nos fala, que nos conta a sua experiência vitivinícola e que nos revela as histórias do legado deixado pelos seus antepassados.

Em 2018, Filipe Cardoso prevê, para a Quinta do Piloto, a produção de 40.000 garrafas.

Há mais de um século, a família Cardoso tem-se dedicado à produção de vinhos de Palmela – chegando a ser um dos maiores produtores da Europa. Mas, tal como a vida, tudo tem um começo, e esta história não é exceção. Foi Humberto Cardoso, pioneiro da indústria automóvel – criou a Auto-Cars Palmelense –, quem, no início do século XX, fundou a Quinta do Piloto e viu na viticultura um negócio de futuro. E, assim, desde os tempos do fundador, a família acalentou o sonho de lançar uma marca própria.  E esse sonho veio a realizar-se em 2013 pelas mãos de Filipe e do seu pai – sendo que vários elementos da família participaram. O lançamento da marca própria – Quinta do Piloto – impulsionou a divulgação do património vitivinícola e a recuperação da adega histórica.

São os mais de 200 hectares de vinhas, com terroirs de Palmela, que compõem a produção da quinta. «35 hectares são de vinhas velhas, com 40 a 70 anos, distribuídas por três herdades – Lau, Fernando Pó e Agualva –, de solos arenosos, «terroir» ideal para as castas tradicionais Castelão (Periquita) e Fernão Pires. Destacam-se, ainda, quatro hectares de Moscatel em solos argilo-calcários com orientação a norte, origem de vinhos aromáticos com maior acidez e incomparável frescura», acrescenta Filipe Cardoso, enólogo e administrador da quinta. Vinhos únicos, com história, quer da família, quer das vinhas.

Este ano, Filipe calcula produzir cerca de 40.000 garrafas «centradas na qualidade e não na quantidade», reforça. Com um especial apreço, e muito seletivo, os vinhos Quinta do Piloto são exportados para o Reino Unido, Suíça e Brasil. O Moscatel Coleção da Familia é o vinho mais premium de que a quinta é detentora. «É um moscatel raríssimo, que vem sendo apurado desde os tempos da fundação. Antes, era reservado apenas para a família e enchiam-se menos de cem garrafas.  Os engarrafamentos de 2015 e de 1974 atingiram 94 e 95 pontos de Robert Parker, respetivamente.», explica o enólogo. E... são estas preciosidades que fazem parte da história da Quinta do Piloto. Tanto o Quinta do Piloto Coleção da Família Moscatel de Setúbal, como o Quinta do Piloto Coleção da Família Moscatel Roxo estão disponíveis no mercado, um a rondar os 900 euros e o outro a passar os 600 euros.  Um vinho luxuoso para colecionadores.

Mais recentemente, em setembro de 2017, a Quinta do Piloto inaugurou o projeto de Enoturismo. Esta ideia fortaleceu-se com o sentido de oferecer aos visitantes a possibilidade de saborearem, com tempo, os vinhos a beleza local. As portas da casa da herdade foram abertas ao alojamento com todo o conforto. Com capacidade para albergar cinco pessoas, a habitação, integrada na propriedade, junto da adega e rodeada de vinhas Moscatel, desfruta de vistas panorâmicas sobre o Parque Natural da Arrábida, Lisboa e Vale do Tejo. Este é o retrato final de uma agradável passagem por terras de tradição, de encontros entre famílias e de vinhos históricos.

 

 

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