Rui Peixoto Pinto

«A saúde em Portugal é das melhores do mundo»

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia ©PMC

Desde que se lembra, sempre desejou ser médico. Mas, curiosamente, ninguém da sua família o era. Rui Peixoto Pinto, desde muito novo, ia com prazer ao consultório médico, ao contrário de outras crianças. Sempre teve muita curiosidade e fascínio pela área da medicina. «Foi a única profissão que pensei ter e lutei sempre para o ser», confessa. Concluiu a sua formação académica em 1975, na Universidade do Porto, um ano após o 25 de Abril. Especializou-se em Ortopedia. Tirou várias especialidades em Portugal e no estrangeiro na área da Cirurgia da Coluna, Anca, Joelho e Trauma. Ocupou cargos de chefia e direção nas entidades que representou. Tornou-se membro da Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia (SPOT); foi Presidente da Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral (SPPCV) e foi Diretor do Serviço de Ortopedia, durante anos, no Hospital São João, no Porto, entre outros cargos. Hoje, aos 65 anos, quer ter mais tempo para a família, para a fotografia e para o golfe. Por isso, e por opção própria, deixou de exercer medicina no Hospital São João, onde trabalhou 42 anos, e ficou a exercer, apenas, no Hospital Santa Maria, no Porto, onde é Diretor Clínico e trabalha, também, há 42 anos.

«Quero dedicar-me mais à fotografia e ao golfe»

Formou-se em 1975...

Sim, na altura do 25 de Abril. Apanhei os primeiros anos, ainda, antes do 25 de Abril e o último ano, já no pós-25 de Abril. Naquela altura, fazíamos dois anos de internato, depois fazíamos um ano na periferia, e, finalmente, aguardávamos o exame de seleção para as especialidades. Acabei por fazer este interregno de quase cinco anos antes de entrar na especialidade de Ortopedia, em 1980. Mas, antes disso, desde o momento em que fiz a cadeira de medicina, desde o 4.º ano, fiquei sempre a ajudar, na urgência e no internamento, os médicos, como o Dr. Acácio Carvalhais e o Mesquita Montes. Ambos são os responsáveis por eu ser ortopedista. Foram eles que me entusiasmaram e direcionaram para Ortopedia. Depois, lutei um pouco para ter o lugar, porque, no ano em que fiz o exame de seleção para a especialidade, só havia uma vaga no Hospital São João (local onde fiz a faculdade). Então, durante quase um ano, estudei e tive 90 e tal por cento (fui um dos primeiros a escolher as vagas de especialidade). E consegui a vaga no São João. Não conhecia outro hospital a não ser o São João. Estive lá 42 anos.

Quão desafiantes foram esses 42 anos?

Primeiro foi a minha luta para entrar. Depois fiz a minha preparação de especialidade toda no São João e fiz alguns estágios em França e Inglaterra, em algumas subespecialidades da área da Ortopedia, nomeadamente a cirurgia da coluna. Depois de acabar a nossa especialidade, e porque a lei assim determinava, tínhamos de concorrer aos hospitais, à medida que eles abriam vagas, para continuarmos ligados à função pública. Concorri a Vila Real, Amarante, Santo Tirso, Barcelos… corri esses hospitais todos. E, depois, acabei por ficar no São João, porque abriram vagas. Fiz exame e fiquei. Fui evoluindo na carreira: de Assistente Hospitalar passei a Assistente Graduado, fiz os exames (julgo que é a única carreira em que se fazem exames públicos para se progredir; ainda hoje fazemos) e de Assistente Graduado passei a Consultor e, depois, a Chefe de Serviço (que hoje se chama Assistente Hospitalar Sénior). Fiquei como especialista em Ortopedia, no quadro do São João, em 1988, e Chefe de Serviço, desde o ano 2000. Neste período, passei por várias fases: fui Chefe de Equipa de Urgência; fui Adjunto do Diretor de Serviço, o então Prof. Trigo Cabral; e, depois, fui Diretor de Serviço durante sete anos.

Na minha vida sempre coloquei parâmetros. Um deles foi: aos 65 anos, reduzir a minha atividade, dedicar-me a uma causa só, porque, até aos 65, fazia clínica privada e clínica pública. Um dos meus objetivos era chegar aos 65 anos e ficar com mais tempo para mim e para a minha família. Ter um pouco mais de qualidade de vida. Portanto, cumpri aquilo a que me tinha proposto. Mudei a minha vida. Tornei-a mais calma. Assim como, aos 70, pretendo acabar a minha vida clínica (cirurgias, consultas), mas, se calhar, não a minha vida de gestão hospitalar. Quero dedicar-me mais à fotografia e ao golfe.

E o que o levou a aceitar o desafio do Hospital Santa Maria?

Também trabalho nesse hospital desde 1975. Não como Diretor Clínico, mas como médico. O antigo Diretor Clínico desse hospital, que era o Dr.º Mesquita Montes, do qual fui Diretor Adjunto, reformou-se, e surgiu o convite para eu o substituir.

E porquê a Coluna dentro da Ortopedia?

Trabalhei durante muitos anos com o Professor José Carvalho Oliveira, que foi das pessoas mais influentes na área da cirurgia da coluna, em Portugal. Foi ele que me trouxe o ‘bichinho’ da coluna. Transmitiu-me a sua sabedoria. A sua forma de operar. A sua forma de pensar. Escolher o que é melhor para o doente, porque nem sempre é fácil fazer isso. Na coluna, às vezes, a decisão do fazer ou não fazer é o mais importante. Claro que o gesto técnico também é importante. Uma coisa é a pessoa estar mais torta, ou menos torta, e pomo-la direita. A pessoa tem uma artrose na anca; mete-se uma prótese, a pessoa começa a andar. Mas a dor, que está muito ligada à patologia da coluna, é uma área muito difícil de tratar.


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«Há hospitais que necessitam de mais médicos nas especialidades»

A coluna é uma das partes mais complexas de se tratar no corpo humano?

Sem dúvida. Por estar ligada sempre muito perto do sistema nervoso central, da medula, as pessoas têm medo de, nas cirurgias, ficarem paralíticas. Mas, com a segurança que temos agora, quase se pode dizer que isso é um mito. De qualquer das manerias, é aquela área mais sensível e que as pessoas mais receio têm de operar.

Alguma vez a decisão que tomou para o utente não foi a mais precisa?

Isso acontece com todos os médicos. Uma coisa é cometer um erro, isso é catastrófico; outra coisa é eu olhar para trás e ver que há 20 anos tomei decisões que hoje nunca tomaria. No entanto, essas decisões, há 20 anos, estavam certas, com o conhecimento da altura. Isso é a evolução do nosso conhecimento e do nosso pensamento. Não nos podemos culpabilizar pelo facto de termos tomado uma decisão, que na altura era a decisão correta, e de neste momento acharmos que não havia razão nenhuma para o fazer. É o evoluir da ciência; o que temos é de manter-nos atualizados, e isso implica uma busca diária. Atualmente temos mais acesso à informação, à literatura, a tudo… o que nos permite ver o que se faz no mundo em determinada situação e que muitas vezes nos pode ajudar na nossa decisão. Há 40 anos tínhamos de pegar nos livros e consultar o que se fazia, mas eram livros que já estavam escritos há algum tempo. Na altura, as decisões eram muito mais difíceis de tomar, pelo menos eram menos fundamentadas do que são agora. O acesso à informação foi uma das inovações que veio ajudar. E, na parte dos cirurgiões, a evolução técnica que se tem verificado – como as cirurgias robotizadas, os aparelhos de imagem que agora nos permitem ter acesso, dentro do bloco, em segundos, à reconstrução de um corpo vertebral – era impensável há muitos anos. Depois, foi a evolução da indústria dos implantes, do desenvolvimento desses implantes, dos estudos que se faz sobre essa área. A forma de ver: os microscópios, as lupas, a luz (que antigamente era no teto, de forma que, ao metermos a cabeça, fazíamos sombra, mas que agora está à nossa frente, é os nossos olhos). Toda esta evolução é uma evolução fantástica.

Na hora em que está a operar está convicto de que aquela é a decisão?

O mais importante de tudo é decidir bem. Depois de decidir o que fazer há outra fase extramente importante, que é o planeamento. Saber como é que vai, porque é que vai fazer, por que lado vai… ou seja, fazer um planeamento correto da situação. Tentar imaginar o que vai encontrar, com base no conhecimento de anatomia que tem, com base nos exames que viu e nas queixas do doente. E tentar ter uma imagem mental daquilo que vai encontrar. Por exemplo, vejo uma hérnia, numa coluna lombar, num exame, e o doente tem uma dor ciática; vejo o exame da ressonância e a hérnia está lá no sítio. Faço um diagnóstico provisório com aquilo que observamos. Vamos confirmá-lo com os exames definitivos (TAC, análises, ressonâncias...). Decide-se a cirurgia. Nesse momento, faço o planeamento. Tento imaginar, recriar, dentro do meu cérebro, aquilo que vou encontrar in loco. Quando opero não fico satisfeito se não encontro aquilo que penso. Imagine que opero e não encontro a hérnia que estava à espera de encontrar, tenho de a procurar, tem de estar lá, eu é que não a estou a ver. Ela pode estar escondida, mas tem de estar lá. E aí é a tal procura da imagem que tinha na mente, aquando do planeamento. Por vezes, as próprias hérnias, na posição em que o doente é colocado, regridem. Tenho um hábito – quando tenho uma cirurgia mais complicada, que não seja uma hérnia, como uma osteotomia da coluna, ou fazer uma correção de uma escoliose –: nunca inicio a cirurgia sem, no dia anterior, olhar para uma coluna. É importante ter uma visão 3D, uma visão interior, para operar bem. E o que nos faz muitas vezes relembrar essa visão é olhar para o objeto natural. Neste momento, conseguimos fazer uma reconstrução 3D computorizada com o auxílio de alguns aparelhos de raios X próprios. Conseguimos operar no computador, sem raios X. Conseguimos operar a olhar para uma imagem virtual. Já fazemos isso cá no Porto. Basicamente o que aquilo pretende é permitir maior segurança ao doente e menor exposição do médico ao raio X. A dose a que o profissional está exposto não é tão inócua como isso. Há imensos casos de lesões por causa das radiações. Antigamente era muito frequente os médicos ortopedistas apresentarem destruição das falésias digitais dos dedos. Expunham-se de tal maneira ao raio X, que faziam uma dermatite rádica, faziam lesões nas mãos. Este sistema veio diminuir isso.

Temos bons médicos em Portugal?

Temos excelentes médicos em Portugal, como em todo o mundo.

E há falta de médicos?

Há alguma falta de médicos, desde a Clínica Geral às especialidades. Há hospitais que necessitam de mais médicos nas especialidades. Há hospitais que, se calhar, estão saturados em algumas especialidades, mas há outros que não têm. Em Bragança, por exemplo, há falta de ortopedistas. Daí a implementação por parte do Governo das vagas carenciadas. É uma forma de descentralizar as especialidades. Conseguir que os jovens médicos se radicalizem nos hospitais mais do interior (por exemplo, a Guarda e a Covilhã são dos hospitais que têm mais carências em algumas especialidades).


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«A identidade de género não me incomoda como a eutanásia»

No seu entender como se encontra a saúde e a medicina em Portugal?

A saúde em Portugal é das melhores do mundo. Pelo menos a assistência na saúde. Toda a gente tem direito, toda a gente tem acesso e não custa muito. Claro que a saúde tem sempre de ter custos, mas, globalmente, desde que tenha cartão de cidadão, a sua saúde está garantida, assim como os tratamentos. Pode haver lista de espera, mas o seu direito está garantido. Nem sempre acontece isso, mesmo em países muito desenvolvidos. Depois, a medicina é uma medicina de topo. Faz-se tudo cá. Qual é o nosso problema? Nós somos só dez milhões. E, portanto, dez milhões deve ser metade da população de algumas capitais do mundo. Assim sendo, o número de casos a que nós temos acesso para tratar é muito menor do que o que existe em alguns centros. E a experiência, muitas das vezes, vem daí. Se conseguir tratar muitos doentes com aquela patologia, se calhar consigo ter mais condições de tratar melhor os doentes, porque tenho mais experiência. Os profissionais são excelentes. Não há limitação nenhuma. Temos é de ter uma atitude mais de globalização. Isto é: fazer centros de referência. Ou seja, uma pessoa pegar e dizer: sim senhora, quem é que trata bem o joelho?! É fulano ou é o centro tal! E os doentes vão todos para lá. Digamos isto para as patologias menos numerosas, as banais serão atendidas em qualquer sítio. As patologias mais específicas, em que há menos casos e são mais complicadas de tratar, deveriam ser tratadas em centros específicos. Um no Porto, outro em Coimbra, outro em Lisboa. Por exemplo, escoliose numa criança, três centros seriam suficientes para tratar as escolioses, mas esses médicos só poderiam tratar aquilo. Os IPO’s, por exemplo, no fundo, são centros de referência na área da oncologia. Foi uma tentativa dos tais centros de referência. Os centros dos hospitais psiquiátricos são outro centro de referência. Ali não há doentes de outra patologia.

As listas de espera nos hospitais é um assunto da ordem do dia.

Penso que aquilo que o Governo está a fazer, que é, no fundo, dar oportunidade de os doentes serem tratados a tempo e horas, transferindo essas listas para os hospitais privados que tenham capacidade de resposta, é uma das soluções. Outra das soluções é optar por um sistema livre. Os doentes terem capacidade de, sendo através do Serviço Nacional do Sistema de Saúde (SNS), sendo através da sua assistência de seguros, poderem escolher o hospital público ou privado que desejarem. O estado tem de dar a saúde aos seus cidadãos. Depois, cada hospital teria de definir as suas capacidades.

Há outra coisa que é importante e de que ninguém fala: proteção do idoso.

Há proteção da criança, há proteção à família da criança, e há pouca proteção ao idoso e à família do idoso. Se virmos bem, estamos numa sociedade quase de três terços: um terço de jovens, um terço de adultos e começamos a encostar a um terço de idosos. É preciso começar a tomar medidas em relação ao idoso. E em relação à família. Pela experiência que tenho, encontro múltiplas famílias com dificuldade em conseguir apoiar o pai ou a mãe. A solução não passa só pela proteção do idoso no pós-internamento hospitalar, porque uma coisa é ser internado e outra é depois ter de ir para casa, e às vezes a família não tem condições para o receber. Outra questão é o idoso que vive sozinho. Não há protecção nenhuma.

O setor privado tem vindo a aproveitar-se das lacunas do SNS. O Santa Maria também é um deles?

Nós temos um contrato que foi estabelecido pelos hospitais públicos. No fundo pelo excesso de gente que têm. Recuperação da lista de espera é um contrato celebrado entre as duas instituições. Nós contribuímos para a saúde do país. Até porque o doente não fica connosco, está connosco 60 dias e, ao fim desses 60 dias, regressa ao hospital de origem. O doente vem ao Hospital Santa Maria para um tratamento específico, mas não o vamos continuar a seguir aqui. Estamos a trabalhar, em conjunto, com os hospitais públicos. O que nos interessa também a nós, claro. Não é nenhum sacrifício. É uma forma de conseguirmos auxiliar, mas, ao mesmo tempo, de sermos ressarcidos por isso.

Também se fala muito no Turismo de Saúde. Que vantagens traz para o país e para os hospitais?

Temos um país que é um destino turístico bastante atrativo. Primeiro, pelos custos: o custo para um turista alemão viver aqui é reduzido. E, depois, o país tem unidades de saúde que são capazes de tratar da mesma forma os doentes como outras instituições pela Europa fora. Temos capacidade de tratamento tão bem instalada como em toda a Europa. É uma área em que até tenho andado a pensar, até porque também estou numa instituição privada e temos ido às reuniões do Turismo de Saúde, agora que têm aparecido em Coimbra, no Porto e Lisboa, para fomentar essa área. Neste momento, o investimento está a ser feito quase só pelos privados. Não há assim nenhum organismo oficial que esteja a tentar divulgar o Turismo de Saúde. Nós aqui (Hospital Santa Maria) não temos Turismo de Saúde, no entanto, temos muitos doentes da Europa que vêm para serem operados por médicos nossos.

Ainda sobre temas que estão na ordem do dia: tem-se debatido sobre a eutanásia e identidade de género. O que nos tem a dizer sobre isso?

Quanto à eutanásia, basicamente sou contra, por formação cristã e por formação médica. Que me digam que nós temos de proporcionar o melhor fim a qualquer pessoa, isso é um facto. Mas, pôr o fim já é diferente. A minha ideia médica é a de prolongar a vida e não de a retirar. Na medicina há duas coisas que uma pessoa tem de dizer: nem sempre, nem nunca. Uma coisa é não prestar assistência, isso é crime. Eutanásia é um assunto discutível, com muitas pessoas a favor, outras, contra. Mas, se me puser o problema assim diretamente a mim, eu digo-lhe que não. A identidade de género, não me incomoda como a eutanásia. Admito que as pessoas queiram mudar de género. Nunca mudam. É uma mudança exterior, porque nunca se irá conseguir fazer a mudança dos cromossomas. Os cromossomas XY vão estar lá na mesma. A identidade de géneros é a transformação externa. Geneticamente, mesmo com hormonoterapia, a célula vai ter sempre lá o Y ou o X (pode, eventualmente, ser XXY).

E os custos que isso acarreta?

Isso aí leva-nos a um problema que é a cirurgia estética, a cirurgia plástica. Se a cirurgia estética deverá ser, ou não, paga pelas entidades públicas. Eu penso que sim. Custe o dinheiro que custar, se a pessoa se sente melhor, seja homem seja mulher. A pessoa, quando toma uma decisão dessas, é porque não está satisfeita com a imagem que tem. E mentalmente isso também a afeta.


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Os valores da deontologia médica continuam a ser respeitados?

Sim. Nesse aspeto temos uma boa formação. Numa questão global nós respeitamos muito a questão deontológica. Por vezes, há umas certas ‘birras’ entre colegas, mas isso, se calhar, existe em todas as profissões. De qualquer forma, devíamos ter mais cuidado com essas ‘birras’ até porque nós (médicos) estamos bastante mais expostos. Tudo o que estiver ligado à área da saúde está bastante exposto. É importante ter sempre uma certa conduta, que nos permita assumir sempre uma posição acima destas dúvidas todas.

Antigamente o médico tinha um estatuto. Hoje, continua a tê-lo?

Era o médico e o padre. Neste momento isso está um bocadinho mais diluído, embora continue a dizer que a nossa conduta também influencia um pouco, quer pela positiva, quer pela negativa, essa figura. Continuo a dizer que o médico ainda é muito respeitado, como o padre.

E, agora, para quem tem problemas de coluna, que desportos aconselha?

Basicamente o que aconselho a todos os doentes é: mexerem-se e adquirirem boas posturas. Agora, o ‘mexer-se’ pode ser: andar a pé, nadar, fazer pilates, ginásio, dependendo sempre da patologia que cada um tem. Basicamente o ‘mexer-se’ é vida.

Como concilia a profissão com a vida familiar?

Uma tristeza que tenho é que a meninice dos meus filhos passou muito depressa. Agora aproveito a neta Sofia, porque tenho mais tempo. A vida é diferente, o ritmo é diferente, a paciência é diferente. Agora, é muito interessante a vida de avô.

E o golfe como surge na sua vida e da sua esposa?

Surgiu em 1999. Comprámos uma casa na Quinta da Barca, que iria ter um campo de golfe. O campo surgiu e nós fomos dos primeiros a praticar naquele campo. Já tinha praticado ténis, muitos anos, no Ténis Clube do Porto, sempre como amador. Depois tive umas lesões e saí do ténis. Em 1999 resolvi experimentar o golfe. A primeira a ir até foi a minha mulher. Eu gostava mais de estar naquele desporto favorito de fim de semana que é o sofá (risos). Entretanto a minha mulher ia para o golfe e eu pensava: mas que vou ficar eu a fazer aqui em casa?! Então fui também. Não é um desporto barato, mas devia ser mais fomentado nas camadas jovens. O golfe é um vício saudável. É um dia que se ganha. Juntos, em casal, desfrutamos os dois. Às vezes, chego aí a quarta-feira e começo a pensar onde é que vou jogar no sábado. Jogo quase todas as semanas. E até já comprei um ferrinho para a neta (um ferro 6).

E o hobby dos clássicos?

Nesta época em que tudo anda muito depressa, impondo stress elevado, os clássicos permitem aproveitar o passeio de automóvel com calma e apreciar o que nos rodeia, promovendo excelentes convívios entre os amantes dos clássicos. Uma filosofia de vida diferente, a viagem começa nos dias anteriores com a preparação do carro e temos uma condução mais atenta e defensiva porque o clássico tem de ser conservado.

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