Salvador Dalí

Na Mente de um Génio

\\ Texto Estela Ataíde (Com Colaboração de Tiago Feijóo)
\\ Fotografia Nicolas Descharnes

Famoso pelos seus comportamentos excêntricos e atitudes provocadoras, Salvador Dalí foi um universo muito mais complexo e profundo do que a personagem de bigode singular que chocava o mundo com obras de arte inusitadas e declarações polémicas. Por detrás de Dalí, estava Salvador, artista exímio e tecnicamente irrepreensível, homem curioso e constantemente em busca de conhecimento.
Responsável por apresentar o Surrealismo ao mundo, transpondo-o para áreas como o design, o cinema e a publicidade, Dalí ficou na história da arte mundial associado a muitas definições, todas variantes da mesma palavra: génio.  
«Salvador Dalí é um génio que quanto mais conheces mais te absorve» ? assim resumiu Miquel Trafach, curador e especialista em Dalí, o poder de sedução do artista e das suas obras. O poder que o transformou num artista de referência, mundialmente reconhecido como um dos grandes criativos de sempre. Embora A Persistência da Memória (1931), o célebre quadro dos «relógios moles», seja indubitavelmente a obra mais famosa de Salvador Dalí, a história do artista catalão vai muito além das telas que pintou.

«Salvador Dalí é um génio que quanto mais conheces mais te absorve», Miquel Trafach

Nascido em Figueres, Espanha, em 1904, passou a infância entre esta cidade e Cadaqués, vila costeira que se transformaria, nas palavras de Miquel Trafach, no «armazém de inspiração para o Surrealismo de Dalí». Das paisagens de Cadaqués, dos formatos sugestivos dos seus rochedos, o artista retiraria significados e interpretações ocultas aos olhos de todos. Ao longo da sua vida, colocaria em muitos dos seus trabalhos referências às paisagens da sua infância. Foi precisamente nos rochedos de Cadaqués que Dalí viu a inspiração para O Grande Masturbador (1929), por exemplo. Foi também aí que declarou o seu amor à então esposa do poeta Paul Elouard, Gala, que viria a ser o seu grande amor, a sua obsessão suprema, a sua musa maior.

Criança profundamente tímida, foi em Madrid, onde frequentou a partir de 1921 a Escola de Belas-Artes de San Fernando, que o jovem Salvador deu os primeiros passos para se metamorfosear e trazer ao mundo o exuberante Dalí. Mostrando desde muito jovem dons excecionais para o desenho, foi bastante influenciado pelo Realismo nos primeiros anos de vida. Mas, após uma passagem pelo Dadaísmo e pelo Cubismo, reconheceu-se num movimento que mudaria a sua vida: o Surrealismo. Juntamente com os restantes surrealistas, ficou fascinado com o papel que os sonhos desempenhavam nas teorias de Freud, vindo mesmo a afirmar em entrevista que as suas melhores ideias lhe chegavam «através dos sonhos». Atraído pela psicanálise e pelo mundo dos sonhos e do subconsciente, Dalí criou o método paranóico-crítico para extrair do seu subconsciente informação oculta e colocar em imagens esta dimensão até então escondida. Rosto Paranóico (1932), um quadro que pode ter diferentes leituras, é uma das obras que refletem este método.

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