Paula Teixeira da Cruz

«Tudo depende da idiossincrasia de quem lidera»

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa
\\ Fotografia Direitos Reservados

Licenciada em Direito, Paula Teixeira da Cruz foi advogada e docente em diferentes licenciaturas e cursos de pós-graduação. Ministra da Justiça desde 2011, integra no seu percurso passagens pelo Conselho Superior do Ministério Público, do Conselho Geral da Ordem dos Advogados e pelo Conselho Superior de Magistratura. Passou já também por diversos cargos de relevância no PSD, entre os quais, o de vice-presidente da Comissão Política Nacional, tendo sido também presidente da Assembleia Municipal de Lisboa.

Encarando a presença das mulheres nos centros de decisão «como uma aquisição cultural e de cidadania», Paula Teixeira da Cruz reconhece, porém, que ainda «persistem desigualdades muito profundas» no que diz respeito às oportunidades que se afiguram a homens e mulheres. «Todavia, sobretudo entre as gerações mais novas, existe hoje uma muito maior igualdade de oportunidades entre géneros. Há profissões em que, por força quer de tradições quer legais ? note-se por exemplo que o acesso às magistraturas estava vedado às mulheres antes do 25 de Abril ?, persistem desigualdades de género no que tange a progressão», afirma a ministra.

Paula Teixeira da Cruz nunca sentiu que o facto de ser mulher tenha interferido no seu percurso de alguma forma e entende que «não existe diferença na liderança entre géneros diferentes». «Tudo depende da idiossincrasia de quem lidera», justifica.

Sabendo que existem mais mulheres licenciadas do que homens, Paula Teixeira da Cruz perspetiva «uma maior assunção por parte das mulheres no exercício das mais variadas profissões e responsabilidades». Quanto a eventuais medidas para promover uma maior igualdade de géneros, a ministra da Justiça esclarece: «sou uma adepta das evoluções culturais, considerando que a intervenção legislativa deve ser o último recurso». «A nossa experiência vem demonstrando que a participação feminina tem vindo a aumentar de forma muito impressiva na generalidade das profissões», conclui, não se revelando adepta de sistemas de quotas nesta matéria.

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