Maria da Glória Garcia

«Perceciono muitas situações de desigualdade»

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa
\\ Fotografia ©Universidade Católica Portuguesa

Doutorada em Direito, Maria da Glória Garcia é desde 2012 reitora da Universidade Católica Portuguesa, ficando na história como a primeira mulher a assumir o cargo desde a fundação da instituição, em 1967.

Para introduzir o tema, invoca as palavras de Hannah Arendt: «a mulher não foi feita a partir da cabeça do homem para o governar, nem a partir dos seus pés para ser pisada por ele, mas do seu lado para ser igual a ele». «A presença das mulheres em centros de decisão e em posições de chefia traduz a concretização dessa ideia basilar, esquecida durante muito tempo», acrescenta a reitora às palavras da filósofa judia.

Embora concorde que «a comunidade portuguesa está hoje muito mais atenta à necessidade de se comportar de acordo com o princípio da igualdade consagrado na Constituição e em inúmeras leis», a reitora lembra «que não precisamos de mais leis, mas de mais exigência no seu cumprimento, nomeadamente no âmbito laboral».

«Tenho a felicidade de viver num tempo particularmente estimulante e de acompanhar a viragem cultural no sentido da melhor compreensão da igualdade», admite Maria da Glória Garcia. «Percecionei e perceciono muitas situações de desigualdade na sociedade, nacional e internacional, mas, ao longo da minha vida, académica e profissional, nunca tive de reivindicar a realização da igualdade nem senti ter obtido benefícios pelo facto de ser mulher».

O que fará das mulheres diferentes líderes comparativamente aos homens? A reitora argumenta: «a capacidade para lidar de modo transversal com os problemas e lhes dar soluções mais criativas em razão, precisamente, dessa capacidade holística de organização. A mulher leva para a profissão toda uma bagagem de experiências em rede, fruto das múltiplas atividades, desde logo pessoais e familiares, que gere com mestria e coloca ao serviço do cargo que exerce».

No que diz respeito a medidas de promoção da igualdade, Maria da Glória Garcia entende que «devem sempre ser encaradas como transitórias», já que «o essencial está na educação e no desenvolvimento das aptidões pessoais».

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