Assunção Cristas

«É preciso educação para a cidadania todos os dias»

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa
\\ Fotografia ©Governo de Portugal

Se a percentagem entre homens e mulheres na agricultura ronda os 70% e 30% respetivamente, os números relativos aos jovens agricultores revelam uma diferença menos acentuada entre géneros (60% homens vs 40% mulheres). «Um bom sinal», segundo Assunção Cristas, atual ministra da Agricultura e do Mar, visto demonstrar que a «agricultura portuguesa está a ?feminilizar-se? e a ser um espelho mais fiel e próximo da realidade global do país».
«Em Portugal há mais mulheres do que homens, há mais mulheres qualificadas, mas, paradoxalmente, são mais vítimas de desemprego e acedem menos a cargos dirigentes», constata a ministra doutorada em Direito, e alerta: «isto é uma distorção grave da lógica da representatividade em que assenta toda a lógica da democracia. Corrigir isto é um dever ético de cidadania».
Sabendo que à luz da Constituição todas as pessoas são iguais e têm iguais oportunidades, na opinião da ministra será já «consensual que os problemas da discriminação são essencialmente de caráter social, educacional e cultural», sublinhando que «há um caminho a percorrer que é um trabalho de gerações, em que as mães e os pais têm uma responsabilidade imensa». E não hesita: «é preciso educação para a cidadania todos os dias, em todas as escolas, em que a defesa da igualdade do género esteja no centro das preocupações. É uma questão de direitos humanos», advoga Assunção Cristas, até à data a primeira mulher em Portugal a estar grávida enquanto ministra.
Convicta de que, em matéria de liderança, a diferença reside nas pessoas, independentemente do género, Assunção Cristas acredita que «o papel de uma sociedade é criar as condições para que as mulheres estejam em pé de igualdade com os homens», louvando o trabalho da União Europeia nesta matéria. «O caminho passa pela desconstrução social que hierarquiza os géneros, um abanão forte nas estruturas de poder existentes, que se questionem privilégios e desigualdades permanentes e, acima de tudo, o processo de mudança tem de ser constantemente acarinhado, leve o tempo que levar».

 

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