Guta Moura Guedes

«A chegada das mulheres à liderança é inevitável»

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa
\\ Fotografia Francisco Sá Bandeira

Na perspetiva de Guta Moura Guedes, a presença das mulheres em posições de liderança e centros de decisão é fundamental. Lamenta, contudo, que Portugal esteja ainda aquém da média europeia nesta matéria e anseia que o país rapidamente se possa tornar numa referência neste domínio. «O facto de as mulheres terem estado demasiado tempo, por motivos totalmente injustos, fora dos cargos de liderança, teve consequências negativas para todo o desenvolvimento da sociedade. A minha posição não é, nem nunca será, a de defender um protagonismo feminino, da mesma forma que nunca defendi um protagonismo masculino. Apenas acho que uma situação de igualdade numérica entre géneros é mais interessante, mais estimulante e muito mais útil para um desenvolvimento social e económico mais justo e eficaz».

Guta Moura Guedes reconhece que «a realidade é, ainda, brutalmente diferente para homens e mulheres, regra geral», apontando como principal motivo a maternidade: «são as mulheres quem têm filhos e que, depois de os terem, são, ainda, na grande parte dos casos, quem cuida deles enquanto são muito pequenos. Ora não há ainda legislação laboral suficiente que nos proteja, nem sequer nos ampare. Nem cultura empresarial que saiba encarar este tema com rigor, dando-lhe a importância que lhe é devida».

No que às características da liderança no feminino diz respeito, e salvaguardando eventuais generalidades, Guta Moura Guedes julga «que há uma objetividade e uma racionalidade que são excecionais nas mulheres. Há às vezes quase uma frieza clínica, seguríssima, que nos faz levar tudo em frente, sem vacilar, sem desistir. Há também uma relação com as emoções e com o universo sensorial mais fácil e mais ágil, o que nos permite entender melhor os outros, o que é fundamental num líder. Usamos os vetores criativos com grande facilidade e somos imensamente destemidas. Mas, se calhar, e isto é o lado fascinante da nossa espécie, podia dizer o mesmo de muitos homens líderes que conheço?», partilha a responsável que se tem destacado na esfera de design como curadora, diretora criativa, estratega e pensadora.

Vendo tudo a mudar rapidamente diante dos seus olhos e esperando que «a legislação acompanhe e evolua ao mesmo ritmo», a presidente da experimentadesign confessa ter mudado a sua visão relativamente às quotas. Se há uns anos foi contra, hoje assume «que em alguns setores elas foram fundamentais para acelerar a mudança neste campo, tão necessária». Mas, nos dias que correm, «a situação já pode evoluir de uma forma mais natural e a chegada das mulheres à liderança é inevitável», diz Guta Moura Guedes. «Daqui a dez anos, no máximo, já não estaremos preocupados com esta questão», adianta, com a esperança de que «as mulheres nunca percam a sua doçura e natural graça e beleza e que nunca sintam que têm de se tornar mais masculinas para serem mais eficazes e competitivas».

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