Isabel Ferreira

«Sou firme defensora da meritocracia»

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa
\\ Fotografia Direitos Reservados

Fundadora do Banco Best, em 2001, e presidente da Comissão Executiva desde então, Isabel Ferreira entende que a presença ainda diminuta das mulheres em posições de liderança e centros de decisão não reflete nem a quantidade nem a qualidade do trabalho desenvolvido pelos elementos do género feminino nas organizações.

Considera que «Portugal é um país em que a sociedade é relativamente equilibrada» no que concerne às oportunidades que se afiguram a ambos os géneros, sugerindo que «os maiores entraves ao desenvolvimento de carreiras a níveis base ou intermédio» se prendem com «as clássicas questões relacionadas com a dificuldade de desenvolver uma atividade profissional em paralelo com as necessidades ditadas pela vida pessoal, que é sempre mais exigente no caso das mulheres». Mas, quando falamos em termos de ascensão a lugares de topo, Isabel Ferreira admite haver «ainda muito a tendência para quem já está no sistema de efetuar escolhas apenas dentro de grupos muito homogéneos, similares e com grandes afinidades ? é uma tendência humana e natural que tem de ser quebrada por imposição de mecanismos exógenos que premeiem a competência / aptidão e promovam a diversidade». Neste contexto, Isabel Ferreira reconhece que «cada pessoa tem um estilo próprio de liderança», mas salienta que «as estatísticas e os estudos conhecidos apontam para uma liderança ?no feminino? em que há mais comunicação, mais participação (designadamente team work) e maior awareness social / ambiental».

A CEO do Banco Best recorda que, em Portugal, já existem mais mulheres licenciadas do que homens desde 1986 «e apesar disso ainda não se observam alterações correspondentes e com relevância no ?topo das empresas? nacionais». Como tal, depois de atestar que é «firme defensora da meritocracia», Isabel Ferreira é de opinião de que «para ultrapassar a situação de total desequilíbrio atual, temos de ?forçar as barreiras? e negociar objetivos a cumprir». «A vantagem é que essa é uma linguagem a que os gestores estão habituados», termina a responsável, aconselhando vivamente o estudo dos casos de França e Inglaterra.

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