Mónica Santiago

Presidente da Professional Women's Network Lisbon

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa
\\ Fotografia Direitos Reservados

Mónica Santiago é presidente da Professional Women?s Network (PWN) Lisbon, a ramificação portuguesa da PWN Global, rede de executivas que pretende promover e incentivar as mulheres a progredir na carreira e na hierarquia das organizações.
Analisando o contexto nacional, Mónica Santiago lembra que «em Portugal o número de mulheres em cargos de liderança nas empresas cotadas e nas grandes empresas é apenas de 9%. Por outro lado, nas PME, onde o número de empresas familiares tem bastante maior representação, esse número já ultrapassa os 30%, aproximando Portugal dos níveis europeus». Relativamente às grandes empresas, a responsável alerta que «a situação só se alterará quando a estrutura familiar for mais igualitária, conferindo aos homens um papel mais importante no seio das famílias, conferindo assim às mulheres mais disponibilidade para exercerem a sua profissão», esclarece a presidente da PWN Lisbon, referindo que «há também questões de natureza pessoal e competências que as mulheres podem trabalhar de forma a fazerem melhor o seu marketing pessoal, desenvolvimento de contactos e posicionamento no mundo empresarial».
Mónica Santiago vê já um número bastante significativo de mulheres nalguns setores da economia, mas não hesita em relembrar que «a crise contribuiu para que as empresas se desresponsabilizassem socialmente». «No entanto, compete às mulheres que querem ser líderes saberem rodear-se de pessoas que já ocupam posições de liderança e trabalhar os seus níveis de autoconfiança», diz a responsável, sublinhando igualmente a importância de melhorar os níveis de empreendedorismo feminino.
Apesar de hoje residir em Portugal, Mónica Santiago viveu já em seis países diferentes. Durante a sua carreira, sentiu na pele as decisões que confrontam as vertentes profissional e pessoal, já que teve de abdicar da sua carreira internacional pelo facto de ter filhos. «Por outro lado, não deixei de ser partner mundial da maior multinacional de Recursos Humanos do mundo», reconhece.
Em que é que mulheres se distinguem dos homens em termos de liderança? Mónica Santiago responde: «são normalmente mais prudentes e avessas ao risco, o que compensa algumas características masculinas; também costumam comunicar de forma mais consensual e inclusiva nas organizações, enquanto os homens são mais diretivos», e destaca: «o facto de representarem 70% ou mais das decisões de consumo deveria ser um motivo para que assumissem posições de desenvolvimento de negócio».
Quanto ao futuro, a presidente da PWN Lisbon indica que «a maior alteração deveria dar-se no seio das famílias, no respeito pelos horários de trabalho e até na confiança nos colaboradores, permitindo trabalho à distância, entre outras tantas medidas, mas tratam-se de questões culturais». «Enquanto não houver respeito pelas vidas familiares, sobretudo nas PME, não conseguiremos alcançar um grande progresso nas organizações», defende Mónica Santiago. «Continuo a achar que as quotas podem servir como acelerador nalgumas empresas para equilibrar os géneros na liderança, mas claro que só devem ser aplicadas em áreas onde haja igualdade de competências e massa crítica».

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