Imobiliário

Portugal no Radar do Investimento Estrangeiro

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa

Os números de 2014 relativos ao imobiliário nacional confirmam a retoma de um setor fustigado nos últimos anos. Se desde finais de 2013 os indicadores têm registado uma tendência positiva, os dados de 2014 são conclusivos. Entre janeiro e setembro foram transacionados cerca de 75 mil imóveis, tendo o terceiro trimestre do ano testemunhado 27 mil transações, um crescimento de 8% face a igual período de 2013.
É certo que os portugueses já se encontram mais recetivos ao investimento imobiliário, mas foram contagiados pelo indiscutível impulsionador do setor "o investimento estrangeiro", que representou 23% do total das transações efetuadas nos primeiros nove meses do ano, num total de 17.300 negócios efetuados. Entre os investidores que mais têm procurado o imobiliário português destacam-se os britânicos, os chineses, os franceses e os brasileiros. Portugal liderou mesmo, no primeiro semestre de 2014, a lista dos países da Europa que mais cresceram a nível de captação de investimento estrangeiro no setor imobiliário.
Este súbito interesse internacional foi, sem dúvida, aliciado pela introdução de programas como o Regime Fiscal para Residentes Não Habituais e a Autorização de Residência para Atividade de Investimento, os chamados Vistos Gold. Foi no dia 8 de outubro que este último, responsável pela principal fonte de captação de investimento direto estrangeiro no país, cumpriu dois anos de vida, superando largamente as metas previstas pelo Governo. Mais concretamente, nos últimos dois anos foram atribuídos 1.649 Vistos Gold, correspondentes a um montante de investimento superior a mil milhões de euros. Foram 45 as nacionalidades a apostar neste regime especial, estando a China na linha da frente com 80% destes títulos.
Em maio de 2014 existiam 3.280 empresas de mediação imobiliária em atividade, número que revela um aumento de 22% comparativamente ao período homólogo de 2013. Se estas, de um modo geral, têm apostado na diversificação das suas áreas de atuação, a verdade é que o segmento residencial continua a ser o mais relevante (86,8%), não esquecendo que quase 74% dos portugueses são detentores de casa própria. A crescente abertura que as instituições financeiras têm dado ao crédito à habitação é igualmente uma condição determinante para a dinâmica do setor. As estimativas apontam que, nos primeiros nove meses do ano, as áreas metropolitanas de Lisboa e Porto concentraram cerca de 14% das transações registadas no país.
O êxito da 17.ª edição do SIL, que teve lugar entre os dias 8 e 12 de outubro, vem também dar sinais evidentes da recuperação do imobiliário nacional. Em seguida damos voz ao presidente da Comissão Organizadora do certame, Luís Lima, também presidente da APEMIP e da CIMLOP; a Beatriz Rubio, CEO da RE/MAX Portugal; e o fiscalista Tiago Caiado Guerreiro, cuja sociedade tem assessorado centenas de processos de investimento na área imobiliária.

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