Flandres

Charme Medieval

\\ Texto Estela Ataíde
\\ Fotografia www.milo-profi.be

É do irresistível aroma a chocolate, do fresco borbulhar da cerveja, do delicado toque das rendas e de enigmáticas ruas medievais que se faz a história encantada da Flandres, região norte da Bélgica que, juntamente com Valónia (região francófona do sul do país) e uma pequena comunidade germanófona, a leste, forma um dos países mais heterogéneos da Europa.
Foi graças à prosperidade, no final da Idade Média, de cidades comerciais como Ghent, Bruges e Ypres, que nasceu uma das regiões mais ricas e urbanizadas da Europa, onde viria a formar-se uma expressiva vaga de cultura, com impressionantes resultados nas artes e arquitetura. É a herança destes tempos que torna a Flandres numa região tão rica de interesse e é embalados pela musicalidade do flamengo, língua oficial da região, que deambulamos de cidade em cidade, procurando descobrir alguns dos seus numerosos encantos.
Um colorido mosaico de línguas, culturas e tradições, Bruxelas tem na mítica Grand Place, praça central da cidade, um dos pontos de passagem incontornáveis. Construída no século XIII, acolhe inúmeros concertos e festivais ao longo do ano, destacando-se o gigante tapete de flores, composto por milhares de begónias, que a cada dois anos preenche o coração da praça.

As cidades flamengas têm em comum o mesmo toque de mistério histórico.

Uma curta viagem de comboio leva-nos a Leuven, que além de ser considerada a capital belga da cerveja, algo de relevo num país que produz mais de 1500 variedades da bebida, alberga uma das mais antigas universidades da Europa, a Katholieke Universiteit Leuven, fundada em 1425. É no entanto Ghent que reclama o título de maior cidade universitária da Flandres. Sob o olhar atento do Castelo Gravensteen, a cidade vive num interessante equilíbrio entre um passado repleto de referências históricas e um presente vibrante e agitado.
Atraídos pelo doce aroma das lojas de chocolate, é tempo de rumar a Bruges. Um dos exemplos mais bem preservados da Flandres medieval, a cidade conhecida como «A Veneza do Norte» pode ser descoberta de barco, pelos canais tranquilos, numa das carruagens puxadas por cavalos que percorrem as ruas centenárias ou simplesmente percorrendo a pé as ruelas em paralelepípedos.   
Uma das cidades mais cool da Europa, Antuérpia viu nascer, nos séculos XVI e XVII, grandes mestres das artes, como Reubens e Anthony Van Dyck. Famosa pelo comércio de diamantes, Antuérpia brilha ainda por marcos arquitetónicos como a estação ferroviária, eleita uma das mais belas do mundo.
Cada uma com o seu charme particular, as cidades flamengas têm em comum o mesmo toque de mistério histórico, seduzindo imediatamente todos os que as visitam e deixando-lhes o desejo de regressar em breve, para rever as suas praças medievais, saborear mais um gaufre ou simplesmente para encetar uma nova viagem pelo tempo.  

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