Ângelo Paupério

«A arte traz ao de cima o que de melhor há em nós»

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa (com a colaboração de Tiago Feijóo)
\\ Fotografia Manuel Teixeira

Foi em Engenharia Civil que se licenciou, mas é na Gestão que tem vindo a trilhar uma notável carreira de sucesso. Nome forte do Grupo Sonae, Ângelo Paupério passou já por diversos cargos de liderança no seio do maior grupo privado português, merecendo a confiança e amizade de Belmiro de Azevedo. Hoje, enquanto vice-presidente da Comissão Executiva da Sonae e presidente do Conselho de Administração e da Comissão Executiva da Sonaecom, os negócios ocupam-lhe grande parte do tempo, mas é sobre arte que nos fala Ângelo Paupério, uma paixão que foi alimentando em si e que o levou a resgatar, juntamente com quatro amigos, uma galeria no Porto já lá vão cinco anos. Foi precisamente na Ap?Arte, por entre as cores vivas de telas pintadas por artistas que admira, que os seus olhos brilharam ao falar de arte, este conceito genial que, em seu entender, «traz ao de cima o que de melhor há em nós».

Como nasce a sua paixão pela arte?

Foi nascendo. Não identifico um momento ou uma situação que desencadeasse este gosto. É antes uma caminhada que fui fazendo na companhia da minha mulher, visitando galerias, exposições, lendo, falando com quem sabe muito mais do que eu e convivendo com artistas com quem muito tenho aprendido.


Tendo uma agenda tão preenchida por imposição dos negócios, qual o papel que a arte representa na sua vida?

A arte contemporânea é o meu hobby. Mas o tempo que lhe dedico não é solitário. É uma atividade que partilho em família, com a minha mulher e com os meus filhos, e com alguns amigos. Ocupa alguns tempos livres, mas, mais do que isso, está presente no tempo que passo com os outros, sem fronteiras muito definidas. Sendo um mundo tão distinto do da gestão, a que me dedico profissionalmente, é um espaço de escape, de descanso, que contribui para o meu equilíbrio e que alarga os horizontes da minha realização.


«A arte limpa da alma o pó da vida quotidiana», disse Pablo Picasso. Partilha da mesma visão?

Identifico-me totalmente com esta leitura de Picasso. Costumo dizer que a arte traz ao de cima o que de melhor há em nós. E sinto esse efeito sobretudo na arte contemporânea, que quebrou as barreiras do meramente estético ou tecnicamente perfeito, e que nos toca de um modo mais emocional, mais interpelador e inconvencional, conduzindo-nos para reflexões mais ricas e profundas. Quanto mais aberto estiver o nosso espírito, mais usufruímos dessa inquietação ou dessa paz.

«A arte contemporânea alarga os horizontes da minha realização»

Sabendo-o um colecionador de arte, encara mais a arte como um prazer ou como um investimento?

Não me considero um colecionador. Não tenho motivação nem na posse nem na construção de um portfólio que possa ser mais do que a soma das obras que o compõem. A minha relação com a arte passa mais pelo prazer da divulgação do trabalho dos artistas e contribuir para potenciar a sua produção artística. As obras que me rodeiam são quase exclusivamente de artistas que conheço, de preferência de artistas de quem gosto também como pessoas, já que dificilmente dissocio a obra do seu criador.


Quais as vertentes artísticas que mais o apaixonam?

Nos últimos anos é à pintura e à escultura que dedico mais atenção. Sou sensível a muitas outras manifestações artísticas, como por exemplo a música ou a arquitetura, mas para se desenvolver o gosto por uma forma de arte é preciso aumentar o conhecimento, dedicar tempo à contemplação, à compreensão? e o meu tempo não é compatível com muita dispersão.


Quais os artistas que mais aprecia?

Tenho muita dificuldade em responder... Dos consagrados internacionais ou portugueses posso citar alguns como Picasso, Dalí, Amadeo de Souza Cardoso ou Vieira da Silva, ou menos conhecidos como Pierre Soulages. Mas interesso-me sobretudo por artistas contemporâneos que estão a começar ou que já encontraram os seus caminhos de afirmação, ou até artistas já consagrados mas que continuam a procurar surpreender-nos com o seu génio criativo.

 

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