Miguel Saraiva

«Encontramo-nos numa fase de grande investimento e afirmação internacional»

\\ Texto Estela Ataíde
\\ Fotografia 1 © Fernando Guerra, FG+SG Architectural Photography

Fundada em 1996, a Saraiva+Associados (S+A) rompeu há mais de dez anos as fronteiras nacionais, tendo vindo a reforçar gradualmente a sua presença internacional. Contando atualmente com estruturas próprias na Argélia, Brasil, Cazaquistão, China, Colômbia, Emirados Árabes Unidos, Guiné Equatorial, Malásia e Singapura, o atelier português de arquitetura já dedica 85% do seu trabalho ao mercado externo, contando para isso com uma equipa da 115 colaboradores, dos quais 35 em permanência fora de Portugal.
O arquiteto Miguel Saraiva, presidente e fundador da S+A, falou à Villas&Golfe do percurso trilhado pela empresa nos últimos 20 anos e da estratégia adotada para consolidar e reforçar a presença internacional do atelier.

 
A S+A conta com ateliers em vários países. A que se deve este sucesso internacional?
Hoje, a S+A é composta por 11 ateliers distribuídos por quatro continentes. Cada atelier serve uma área geográfica que vai para além do país em que se localiza, funcionando como hub dos países circundantes. A par desta estratégia, destaco uma brilhante e dedicada equipa técnica que tem sido capaz de responder aos mais diversos desafios. Mais do que o processo de decisão estratégica, é a interação entre players e atores (arquitetos) que dá forma ao conceito, à estrutura e à concretização técnica.
A experiência adquirida permite-nos desenhar soluções à medida das necessidades dos mercados emergentes, onde optámos por nos estabelecer e nos quais se verifica um processo de rápido de crescimento económico. Podemos dizer que estamos em condições de dar resposta às mudanças da economia mundial, uma resposta contextualizada que pondera a especificidade cultural de cada região. Com ateliers instalados em mercados estratégicos da Ásia, da América Latina e de África, a S+A está a desenvolver um knowhow local, reforçando a sua experiência a nível internacional.

«Estamos cuidadosamente a realizar estudos de mercado em novas geografias»

Quando começou e o que motivou o processo de internacionalização?
O processo teve início há cerca de 11 anos, numa altura em que o mercado nacional ainda apresentava níveis de encomenda interessantes. Porém, antecipando-nos, optámos por uma estratégia de crescimento sustentado, procurando novos mercados. E, dessa forma, equilibrámos o volume de trabalho externo com o interno, de uma forma gradual. Assim, focámo-nos em duas vertentes: a internacionalização propriamente dita, abrindo novas estruturas locais com base em projetos âncora de dimensão relevante, e a exportação, identificando oportunidades no exterior e desenvolvendo os projetos 100% a partir de Lisboa.
 
Entretanto Portugal deixou de ser um mercado atrativo para a arquitetura?
Portugal será sempre o nosso mercado, um mercado que nos permitiu aprender, crescer, evoluir na nossa profissão, um mercado que nos preparou para o mundo. Apesar da acentuada redução da atividade em Portugal, foi possível manter o nível de atividade para o país.
 
Pretendem alargar essa presença internacional e criar estruturas próprias noutros endereços?
Sim, nos próximos cinco anos a S+A prepara a sua expansão e entrada em novos mercados estrangeiros a par da consolidação da sua presença em mercados nos quais já se encontra presente. Estamos cuidadosamente a realizar estudos de mercado em novas geografias.
 

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