Sofia Escobar

«Não acredito em fama instantânea»

\\ Texto Carolina Xavier e Sousa
\\ Fotografia Manuel Teixeira Johan Persson

Se o sonho comanda a vida, comanda certamente a de Sofia Escobar. Apesar das adversidades com que se pode ter deparado, moveu-a a busca pela felicidade que encontraria ao construir uma carreira na música e na representação. Quando as portas em Portugal se fecharam, Sofia conquistou um lugar na prestigiada Guildhall School of Music & Drama, em Londres, cidade que a fez brilhar como protagonista de musicais tão emblemáticos como O Fantasma da Ópera e o West Side Story e de onde trouxe um prémio WhatsOnStage e uma nomeação para um Laurence Olivier. Apesar de hoje viver em Madrid, foi na cidade onde nasceu, Guimarães, que a encontrámos. Descobrimos que talento não lhe falta e que, além de ser dotada de uma persistência notável, é prendada com uma estrela que tem iluminado o seu caminho.

O que nasce primeiro em si, a paixão pela música ou pelo teatro?

Primeiro pelo teatro. Comecei tinha uns 12 anos. Era muito tímida e os meus pais acharam que poderia ser uma boa forma de me tornar mais extrovertida. E eu apaixonei-me completamente. Comecei cá em Guimarães e entretanto, aos 16 anos, também comecei a ter aulas de canto. Estudei dois anos no Conservatório do Porto. Aos 20, fiz provas para as escolas superiores de música aqui e não entrei? Acho que pelo meu tipo de voz; aqui dão mais valor a sopranos dramáticos e eu tenho voz para cantar Bach, oratório na área clássica, teatro musical, operetas, coisas mais ligeiras. Então fiz provas para Londres e entrei na Guildhall School of Music & Drama, uma escola extraordinária à qual concorrem anualmente milhares de pessoas e entram apenas 20. Entrar foi um sonho tornado realidade.

 


Em Londres, foi primeiro selecionada como suplente para O Fantasma da Ópera, protagonizou Maria no West Side Story e depois foi escolhida para o papel principal de Christine n? O Fantasma da Ópera. Qual foi o momento mais emocionante da sua carreira?

Acho que foi quando pisei pela primeira vez o palco como Christine, ainda como substituta. Foi como viver um conto de fadas! Eu tinha as partituras d? O Fantasma da Ópera em casa com as fotografias da Sarah Brightman e do Michael Crawford no barquinho. E, de repente, vejo-me no mesmo barquinho. Estava nervosa, mas vivi o momento com muita intensidade. Foi uma vitória, porque apesar das dificuldades valeu a pena! Reconheço que, no meio de muito esforço, trabalho e dedicação, também tenho tido muita sorte, uma espécie de estrelinha que tem iluminado o meu caminho. Considero-me uma pessoa muito abençoada.

«Estar nomeada para um Laurence Olivier foi para mim uma honra»

Venceu um prémio WhatsOnStage e foi nomeada para um Laurence Olivier. Ainda se belisca?
Sim, fui nomeada para o WhatsOnStage e para um Laurence Olivier na mesma categoria (Melhor Atriz de Teatro Musical) e ganhei o WhatsOnStage pela Maria no West Side Story. Só o facto de estar nomeada para um Laurence Olivier foi para mim uma honra Ainda hoje olho para a nomeação que tenho emoldurada em casa e me custa a acreditar. Para a próxima tenho de ganhar! (risos)
 
Sempre acreditou que conseguiria vingar?
Não. Porque mesmo chegando a um certo ponto, é preciso mantermo-nos lá e eu estou sempre a tentar superar-me. Continuo a ter aulas de canto, faço workshops de representação, faço castings, vou tentando evoluir, mas tive sempre muitas dúvidas. Quando fui para Londres, senti uma responsabilidade enorme pelas pessoas que estavam a apostar em mim, porque os meus pais pediram um empréstimo para eu poder ir. Foi um verdadeiro trabalho de equipa, sem eles nunca teria sido possível ter chegado onde cheguei.

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