Joana Santos Barbosa

«Sempre soube que a Insidherland estaria destinada ao mercado externo»

\\ Texto João Afonso Ribeiro
\\ Fotografia Insidherland 2015

Não é de agora que o design português é reconhecido no mercado internacional. A Insidherland, de Joana Santos Barbosa, é um exemplo paradigmático de uma marca nacional que se impôs fora de portas. Criada em 2012, especializada na produção e comercialização de peças de mobiliário, iluminação e estofo para o mercado de luxo, a Insidherland demorou apenas um ano a internacionalizar-se. Hoje, exporta 100% do que produz e conta com uma estrutura composta por mais de duas dezenas de funcionários. Joana Barbosa, arquiteta de formação, é a cara de uma marca jovem e responsável pelo rumo de uma empresa com um crescimento exponencial. Além do talento que lhe corre nas veias, a empreendedora mostra ambição: pretende aumentar 40 a 50% o volume de vendas em relação a 2014.

 

Em que contexto surge a Insidherland?
Desde muito cedo desenvolvi ligações especiais com diversos contextos que, mais tarde, viriam a ser determinantes para a criação da Insidherland. A conexão espiritual que sinto com a natureza, as imensas paisagens que tive o privilégio de absorver em viagens que fiz, a curiosidade inata que sempre tive pela riqueza de culturas indígenas, bem como a minha entrega pessoal a algumas artes performativas como o piano e a dança, criaram o núcleo forte que envolveu a minha formação em arquitetura. Paralelamente, fui passando para o papel inúmeras ideias que rondavam as minhas vivências e que, de certa forma, contavam pedaços da minha história.
 
Que preceitos baseiam o design da marca?
A Insidherland não é apenas uma marca de design exclusivo de autor destinada a nichos de mercados internacionais de decoração de luxo. Apresentamos criações que se desenvolvem a partir de conceitos únicos e design inovador com a capacidade, não só de dar a conhecer os meus sentimentos, mas de se conectarem emocionalmente com o público que as admira através das suas próprias experiências de vida.
 
O que transporta da Joana para as peças que compõem o portefólio da marca?
No fundo é uma extensão do que eu sou e cada peça transporta a minha essência. O aparador Homeland espelha a minha infância e quatro outras peças são a representação da história de amor que une os meus pais. Não poderia ser mais pessoal. É um processo muito idêntico à escrita. Como quem conta um conto acrescenta um ponto, também eu, quando crio uma peça, destaco apenas o que a memória enaltece, transformando-o sob a minha perspetiva.
 
A marca surge em 2012 e inicia o processo de internacionalização em 2013. O que a levou a avançar tão rapidamente para o mercado externo?
Apesar de ter lançado a marca em Portugal em 2012 apenas com uma peça, o aparador Homeland, sempre soube que a Insidherland estaria destinada ao mercado externo. Logo após o lançamento, recebi um convite para apresentar a peça em Milão por ocasião da Milan Design Week e rapidamente recebi a aceitação da imprensa internacional, o que me fez acelerar o processo de internacionalização da marca. O cliente da marca é conhecedor do cenário atual do design mundial e exigente no que respeita à qualidade dos materiais e acabamentos.

«Exportamos a totalidade da produção para 12 mercados muito distintos»    

Exporta 100% do que produz. Portugal não é um mercado atrativo para o design?
De facto, exportamos 100% da produção. Tenho fé de conseguir também conquistar clientes portugueses. Será para mim um orgulho ter o meu trabalho presente no meu país.
 
Quais os países para onde mais exportam?
Atualmente, exportamos a totalidade da produção para 12 mercados muito distintos, como a Inglaterra, a França, os Estados Unidos e vários países do Médio Oriente, com especial foco na Arábia Saudita.
 
O design com selo made in Portugal constitui uma mais-valia lá fora?
O design português diferencia-se pela alta qualidade de materiais e técnicas tradicionais, envolvidas na execução de peças, com o conceito de tailor-made. Um pouco por todo o mundo, a Insidherland tem sido destacada pelas melhores revistas de decoração como Elle Decor inglesa e francesa ou a Architectural Digest alemã e russa, sendo diversas vezes distinguida pelo conceito e design inovador das peças, como também pelo facto de ser uma marca portuguesa em ascensão.
 
Que expetativas de faturação têm para 2015?
Prevemos para este ano um aumento do volume de vendas entre 40 a 50% superior a 2014.
 
Onde são produzidas as peças da marca? Com matérias-primas portuguesas ou importadas?
Todas as peças da marca são produzidas na zona do Porto, em oficinas de artesãos. As matérias-primas são portuguesas ou importadas apenas quando são inexistentes em Portugal. O investimento deste projeto foi claro em criar uma equipa multidisciplinar, adaptando técnicas tradicionais a novos conceitos de design.
 
É uma empreendedora de sucesso. Que características fazem da Joana uma pessoa bem-sucedida?
Mais do que amar, eu acredito verdadeiramente no que faço. A perseverança, o foco, a determinação, a honestidade e a humildade são os pilares elásticos que me seguram à terra e, ao mesmo tempo, me deixam voar. Tenho sempre em mente uma frase que Michael Jackson disse quanto tinha apenas 12 anos: «I don?t sing it if I don?t mean it». É tão simples assim: eu não crio se não sentir.

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