Taiti

A Ilha dos Amores

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia Tahiti Tourism/Raymond Sahuquet

Abrir os olhos e acordar num mundo novo: uma ilha de águas quentes, límpidas, de matizes irrepetíveis, porque debruada por anéis coloridos de corais; montanhas e picos vulcânicos cobertos por copiosa vegetação tropical; confortáveis bangalôs suspensos sobre as águas; um povo alegre, hospitaleiro, cujas vestes se enchem de flores garridas e cuja cultura exótica, presente nos rituais, na arquitetura de palafitas, na gastronomia, no artesanato, etc., ostentam e guardam como um tesouro valiosíssimo e inesgotável.

© Tahiti Tourism/ Ty Sawyer

Parece o mundo de Morfeu, mas é real, se a lonjura não intimidar e se a vontade for ainda maior que o sonho. Este é o Taiti, que bem poderia chamar-se a Ilha dos Amores, pelo arrebatamento que provoca aos que o visitam, e mesmo aos que apenas sonham com ele, e também por ser um destino propício para descobrir a dois, os que amam e se amam.
São 118 ilhas divididas em cinco arquipélagos: Ilhas Marquesas, a norte; as Ilhas da Sociedade e as Tuamotu, no centro; as Austrais, a sul; e as Gambier, a sudeste. Eis a Polinésia Francesa, um território feito de pedaços de paraíso espalhados nas águas azul-turquesa do Pacífico Sul. O Taiti, nas Ilhas da Sociedade, é o coração pulsante desta região dependente da França, e também a sua maior ilha, onde se situa a capital Papeete.
No Taiti, assim como em todas as ilhas, investiu-se em infraestruturas hoteleiras pensadas exclusivamente para criar uma atmosfera de sonho. E é com certeza um sonho acordar sobre as águas, ou ter uma praia branca e deserta só para dois. É um sonho fazer uma sessão de spa com tratamentos  únicos no Pacífico, que aliam os benefícios das suas águas marinhas e das fragrâncias naturais ? como o coco, a baunilha, o monoï ou a gardénia-tiare ? à medicina tradicional da Polinésia. Banhos que purificam ou energizam, como os banhos de rio ou de flores exóticas com aromas de fruta e óleos essenciais; duches de água da chuva; jacuzzis perfumados? Uma explosão de texturas, sabores e cores que se aliam para o prazer dos sentidos, os do corpo e os da alma. Não será por acaso que Paul Gauguin e Jacques Brel, em épocas diferentes, terão escolhido o Taiti para viver parte das suas vidas.

É um sonho acordar sobre as águas ou ter uma praia branca e deserta só para dois

Pelo interior da Ilha, há montanhas para escalar, sítios arqueológicos, lugares sagrados, cataratas, túneis de lava, envoltos por um verde frondoso. No litoral, é possível o mergulho, passeios de balsa ou catamarã, praticar jet ski, bodyboard, kitesurf, windsurf, ou surfar as ondas gigantes de Teahupo?o.
Em Papeete os momentos podem ser de muita agitação, ou de quietude, se assim se desejar, mas sempre emoldurados por paisagens encantadas. Bares, discotecas, lojinhas e mercados de rua, restaurantes, espetáculos dão algum frenesi ao sossego dos dias. Experimentar a Ori Tahiti (dança tradicional), deslumbrar-se com o Museu da Pérola, ou as explorações de ostras ? e quem sabe encontrar uma das tão cobiçadas pérolas negras ?, visitar o The Gauguin Museum, a Catedral de Notre-Dame, o Templo de Pao Fai, entre muitas outras atrações, são experiências imperdíveis.
Recebidos com sorrisos e um colar de flores, leva-se, quiçá, um sarong colorido, uma pérola negra, mas sobretudo um paraíso cravado na memória, cheio de sabores e aromas exóticos e uma paleta garrida de cores. E talvez ao longe, como num filme, sussurrando um partir contrariado, soe a voz arrastada de Brel «Ne me quitte pas?»?    

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