João Sousa

«Já consigo causar algum desconforto aos melhores do mundo»


\\ Fotografia Gestifute Media/Jorge Monteiro

Nome incontornável no ténis português, João Sousa foi, aos 26 anos, mais longe do que algum jogador nacional alguma vez tinha ido. Presença constante no top 50 mundial, o primeiro português a ganhar um torneio ATP é um jogador obstinado e um talento made in Portugal. Natural de Guimarães, saiu ainda adolescente rumo a Barcelona, em busca do ambiente ideal para crescer, treinar e tornar-se jogador profissional, sendo hoje um atleta capaz de criar dificuldades aos melhores do mundo. Após uma derrota na final do ATP de Genebra, num torneio em que esteve perto de repetir o feito conseguido em 2013 na Malásia, e de uma eliminação diante de Andy Murray em Roland Garros, onde foi capaz de ganhar um set ao número três do mundo, João Sousa fala à Villas&Golfe sobre o ténis português, a sua carreira e os objetivos para um percurso promissor que augura bater novos records.
 
Abandonou Portugal aos 14 anos, rumo a Barcelona. O que o levou a tomar essa decisão? Portugal não dava as condições para construir uma carreira?
Tomei essa decisão pois tinha o sonho de ser jogador profissional de ténis e Barcelona era o melhor local no mundo para o fazer. As condições eram muito melhores do que em Portugal, pois permitiam conciliar aulas com treinos intensivos. Além disso, em Barcelona estavam os melhores treinadores e muitos jogadores de grande nível com quem treinar, o que não acontecia em Portugal.
 
A edição de 2015 do Estoril Open esteve em risco de não se concretizar. Sente que há um desinvestimento no ténis em Portugal?
É verdade, mas acabámos por ter o Millennium Estoril Open, que foi um grande evento. Penso que, pelo contrário, começa a haver uma maior atenção e abertura para o investimento no ténis em Portugal. Um exemplo é a forte aposta de várias marcas no ténis, conscientes de que este desporto tem público, muitos adeptos e grandes retornos. É um desporto que tem muita exposição mediática.
 
O que falta ao país para se tornar mais competitivo no panorama do ténis mundial?
Para que Portugal se torne mais competitivo no panorama do ténis mundial é importante que, por um lado, se criem condições que permitam aos jovens conciliar os treinos intensivos com os estudos e criar infraestruturas para uma maior disseminação da prática do ténis. Temos o melhor clima da Europa, as pessoas mais simpáticas e acolhedoras, temos também grandes treinadores e jogadores com experiência no circuito mundial, só nos falta criar condições que tornem Portugal atrativo aos melhores jogadores internacionais para treinar (e porque não viver).
 
Este Estoril Open não correu tão bem, quando até era um dos favoritos. Foi a pressão de «jogar em casa»?
A «pressão de jogar em casa» existe sempre e em todos os desportos. É algo a que estamos habituados e com o qual temos de conviver. Penso que não foi essa a questão. O Rui Machado fez um grande jogo e eu não fui capaz de ultrapassar os obstáculos que foram surgindo ao longo do encontro. Deixei tudo em campo, mas o Rui nesse dia foi melhor.
 
Já defrontou alguns dos melhores jogadores do mundo, como Nadal, Murray, Djokovic, Ferrer e Federer. Qual a importância destes desafios na sua evolução?
São importantes porque, por um lado, consigo ver que já tenho um nível que me permite causar-lhes algum desconforto quando estou a jogar bem, mas, por outro, ainda tenho de melhorar e trabalhar muito para chegar ao nível deles.
 
Tendo já defrontado diversos nomes que integram o top 10 mundial, qual se afigurou o mais desafiante?
Sendo o Federer o meu ídolo, terei que dar o seu nome. Foi sem dúvida muito desafiante ter-lhe ganho um set em relva, na sua melhor superfície.
 
Ganhou esse set a Federer no ATP de Halle, na Alemanha. Ainda em maio, no Roland Garros, ganhou um set a Murray. Isto prova que se sente cada vez confiante diante dos melhores?
Penso que isto demonstra que o trabalho que tenho realizado com a minha equipa técnica tem resultado e que tenho vindo a melhorar o meu nível de ténis, bem como a minha confiança. Agora é preciso continuar a trabalhar para lhes conseguir ganhar um encontro.
 
Na verdade eliminou Ferrer, o então n.º 4 do mundo, nos quartos de final do ATP da Malásia, que conquistou em 2013. Esse ATP é o primeiro alguma vez ganho por um português. É o português com melhor ranking de sempre. Como é lidar com essa responsabilidade?
Não vejo isso como um problema ou uma grande responsabilidade, são apenas estatísticas. O que quero é trabalhar bem para conseguir ir melhorando todos os dias e atingir o melhor nível «tenístico» possível.
 
Quais as suas ambições para os próximos tempos?
Quero sempre fazer mais e melhor. Todos os detalhes são importantes e procuro melhorar sempre em todos os aspetos.

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