Amazing Evolution Management

Margarida Almeida

\\ Texto Sónia Gomes Costa
\\ Fotografia Nuno André Santos

«Procuramos antecipar as soluções para evitar os problemas»

Margarida Almeida, jurista de formação, usou a vasta experiência adquirida durante a sua passagem pela área do imobiliário, na falida Imocom, para criar uma empresa de gestão de activos que respondesse às necessidades dos projetos turísticos em situação de insolvência, através de uma estrutura simples e de forma rápida. Assumindo a gestão integral desses projetos, apresentando soluções a nível da área jurídica, obras, vendas e reposicionamento da operação, a Amazing Evolution Management é hoje solicitada, por bancos e fundos, a intervir até em empresas saudáveis, de forma a acrescentar valor aos projetos. Com uma equipa de confiança e um portefólio de luxo, que envolve hotéis como o Conrad Algarve, o Choupana Hills e o Monte Santo, Margarida Almeida é uma perita em conseguir resultados positivos em poucos meses, sem que o fantasma da insolvência se torne um carimbo distintivo dos projetos.    

Como surgiu a Amazing Evolution Management?

Na altura em que a Imocom entrou em falência, em 2011, a minha função como responsável pela área jurídica e de licenciamentos fez com que eu lidasse com todas as insolvências envolvidas no processo. A confiança é um pilar básico na relação das pessoas e dos negócios e, por isso, toda a equipa sabia da situação real. Conseguimos que todos os projetos fossem terminados e continuassem em funcionamento, sem prejuízos para os clientes. A Amazing Evolution Management surgiu de forma natural e espontânea, como consequência natural das respostas que demos às circunstâncias adversas em que tivemos de trabalhar.

Depois de termos aberto o Conrad Algarve, com todo o trabalho que fizemos com vários bancos no país, houve um banco internacional que me contactou porque tinha um projeto no Algarve e precisava de contratar uma pessoa de confiança. Aí pediu o curriculum da minha empresa. Foi assim que nasceu a Amazing Evolution Management, aberta na hora, em 2012. Passados três meses, outro banco solicitou também a gestão de mais um projeto em insolvência, e tem sido assim sucessivamente. Temos conseguido pagar os custos operacionais e também acrescentar valor aos proprietários e aos projetos em si.

 

Como é constituída a equipa da empresa?

Somos 12 pessoas, entre advogados, gestores, engenheiros civis e mecânicos. Isto para consolidarmos todas as áreas necessárias para que um projeto seja bem gerido. E não me refiro apenas à área de estratégia ou à área comercial. Temos uma gestão muito proactiva, e procuramos antecipar as soluções para evitar os problemas. Isto advém da experiência que tivemos nos momentos difíceis que passámos. Penso que essa é a nossa grande vantagem enquanto prestadora de serviço.

 

Como é feita a gestão dos projetos com problemas?

Primeiro começamos por estancar a tesouraria e fazer crescer a receita. Mas, em simultâneo, parte da equipa de engenharia faz um estudo exaustivo de todos os equipamentos existentes e de todos os procedimentos. Vamos trabalhando na medida que vai sendo possível financeiramente, até porque não temos linhas de financiamento às operações.

 

Quais são os procedimentos?

A primeira coisa que faço, e sempre que posso, é ir aos locais como cliente, para sentir o projeto e perceber como funciona. Isto porque apesar do ADN de cada projeto, existem princípios básicos que são comuns no que diz respeito à gestão. Olho para o projeto e percebo onde este pode ir buscar o maior valor possível, que mercado pode valorizar aquele produto e direccioná-lo. Também o equipamento e a manutenção são levados em conta e procuramos as soluções à medida de cada projeto. O objetivo é optimizar os próprios recursos, nomeadamente os humanos. Há uma gestão muito rigorosa e criteriosa, com uma grande responsabilidade, porque não somos os proprietários e sim os gestores profissionais dos projetos. É fulcral haver esta distinção.

«Somos 12 pessoas, entre advogados, gestores, engenheiros civis e mecânicos»

Há margem de actuação em projetos que, mesmo alavancados, precisam de auxílio para crescer?

Sim, já estamos a ser consultados em projetos que estão bem, mas que poderiam estar melhor. Estamos a dar este passo agora, a receber vários contactos e a analisar projetos, nomeadamente com a reconstrução de uma unidade em Lisboa, que implica acompanhar o projeto desde o princípio, que era o que acontecia na Imocom: compra e venda da propriedade, licenciamento do projeto e todos os passos até à abertura de portas.

 

Esse processo é mais aliciante?

É melhor, porque sabemos onde estão os fatores críticos de sucesso das operações, e podemos dar inputs durante o projeto para que os problemas que possamos encontrar sejam superados.

 

Que aprendizagens provenientes da gestão dos projetos sob stress têm aplicado nas empresas consideradas ?saudáveis??

Principalmente, as boas e rigorosas práticas da gestão profissional, que passam pela maximização da rentabilidade do projeto. No intermédio - e de maior grau de importância -, aprendemos com as pessoas, retirando o melhor de cada activo humano.

 

Em termos internacionais, a Amazing Evolution Management tem sido solicitada a intervir?

Também, internacionalmente, estamos a ser consultados. Por exemplo, fomos convidados a visitar o Quénia para fazermos uma proposta a um novo grupo queniano do ramo imobiliário, que não tem experiência na área hoteleira. Ficaram interessados com a nossa proposta de gestão e desde então tudo está a avançar nesse sentido.

 

Qual é o balanço que a Amazing Evolution Management faz do ano 2015?

O ano de 2015 foi um ano de gratificação, com três dos nossos projetos a receberem distinções relevantes no sector do Turismo: o Monte Santo como Melhor Resort Romântico da Europa, o Conrad Algarve como Melhor Resort de Lazer Europeu e o Choupana Hills como Melhor Boutique Hotel. Ainda assim temos de continuar para manter o nível de sucesso, que não é fácil. Trabalhei para criar valor e isso é a sustentabilidade da empresa.

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