Finlândia

País dos mil lagos

\\ Texto Redação

Por esta altura já o Pai Natal goza o seu merecido descanso, dada a correria dos últimos dias de 2015. Já as renas, duendes e elfos se aquietam, e as luzes se tornam menos ?psicadélicas? em Rovaniemi, a cidade mais importante da Lapónia, no Círculo Polar Árctico, na Finlândia.

Viemos, pois, à Finlândia e não foram as temperaturas de 30 graus negativos na zona norte do país que nos demoveram. Pelo contrário, há uma vontade ávida de ver tudo e experimentar todas as atividades que a Lapónia tem para oferecer, desde os safaris com renas ou huskies, passando pelas mais variadíssimas modalidades de ski, passeios em motas de neve, até às sessões nas reconhecidas saunas finlandesas, a que se lhes segue um banho nas águas gélidas dos lagos.

Parece um contra-senso, mas a noite e a neve criam uma sensação de aconchego, como se se tratasse de um invólucro azul-escuro e branco, apenas pespontado pelo verde pouco nítido dos abetos e pinheiros. E se a este cenário se juntar a aurora boreal, o céu parece explodir, rasgado por incandescentes tons de verde, vermelho e azul.

Rovaniemi é razão bastante para uma viagem ao norte do país, mas há muitas mais, entre elas Levi, uma famosa estância de ski, situada a 180 km a norte da linha do Círculo Polar Árctico, onde a natureza se encontra no seu estado bruto, possuindo, no entanto, todas as comodidades para umas férias inesquecíveis. E há sempre a possibilidade de ?tropeçar? num lapão, cuja simpatia e afabilidade são reforçadas pelos seus trajes coloridos, feitos à base de pele de rena.


Mas o inverno da Finlândia tem muitos outros predicados. Para além dos parques naturais e bosques, dos cerca de 188.000 lagos ? conferindo-lhe o epíteto de «país dos mil lagos» ?, as cidades são deslumbrantes, organizadas e limpas. São exemplo disso a medieval Turku, ou Rauma, com o seu belíssimo centro histórico. Não é excepção Porvoo, uma cidade bilingue (fala-se finlandês e sueco) com traços medievais, a cerca de 50 km da capital. Ainda que seja a segunda cidade mais antiga do país, Porvoo é de pequenas dimensões e tem sempre um ar festivo, concedido pelas casas em madeira pintadas de vermelho, que se organizam rio acima. Em cada uma das ruas estreitas, ou em cada lugar das imediações da cidade, há sempre a vontade de demoradas contemplações e motivos de sobra para que os momentos fiquem para sempre registados numa máquina fotográfica.

Helsínquia é a capital da Finlândia, a cidade que, dizem, nasceu do mar. Nas ruas da urbe ? plana, sem arranha-céus e debruada pelo Mar Báltico ?, convergem influências de Ocidente e Oriente. Os contrastes são claros não só na arquitetura, mas também na cultura, eventos levados a cabo, gastronomia e tradições, que conferem um estilo de vida cosmopolita e moderno. No inverno ganha uma considerável extensão, uma vez que, pela força do gelo, é possível visitar a pé as cerca de 200 ilhas do Báltico que se dispersam em frente à baía da cidade. De visita obrigatória é o grupo de ilhas que acolhe a Fortaleza de Suomenlinna, classificada como Património da Humanidade, ou a península de Katajanokka, que alberga a Catedral Uspenski, o maior templo ortodoxo escandinavo, com traços nítidos da arquitetura soviética. Aliás, para além do minimalismo nórdico da arquitetura e das diversas camadas de estilos de diferentes períodos históricos que se vão desvendando, é o ar marcadamente russo que se mostra em muitas construções, como na Praça do Senado (Senaatintori), em pleno centro de Helsínquia, com a Universidade e a Catedral Luterana (Tuomiokirkko).

Os 80 museus, sete orquestras, inúmeras galerias de arte, a ópera, o teatro e o ballet nacionais trazem uma dinâmica invejável a esta cidade, ao mesmo tempo que, sobretudo nos bairros de Kamppi, Punavouri e Kallio, se sente uma atmosfera jovem e entusiasta. Antes de partir, visite o mercado, com bancas de peixes, frutas, comidas típicas e souvenirs finlandeses, e não deixe de usufruir de uma das centenas de revigorantes saunas espalhadas pela cidade.


É o «país dos mil lagos», mas bem poderia ser conhecido como o país das mil saunas, ou das mil renas, ou até das mil tecnologias. De inverno, vivem-se as mil e uma noites, iluminadas ocasionalmente pela aurora boreal; de Verão, os mil e um dias, contemplados pelo sol da meia-noite.

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