Ricardo Mendes

TEKEVER

\\ Texto Estela Ataíde
\\ Fotografia Nuno André Santos

"Somos obcecados pela comunicação sem limites"

Fundada em 2001 por um grupo de estudantes recém-formados pelo Instituto Superior Técnico, a TEKEVER tem percorrido desde então um caminho de sucesso na área da Tecnologia de Informação e nas divisões Aeroespacial, Defesa e Segurança, contando atualmente com escritórios em Portugal, no Brasil, Estados Unidos, China e Reino Unido, e tendo prevista a abertura de uma subsidiária nos Emirados Árabes Unidos ainda este ano. A presença em tantos países rapidamente se percebe quando se enumeram as colaborações da TEKEVER, que trabalha com entidades como a Agência Espacial Europeia e a Shanghai Engineering Center for Microsatellite (SECM), colabora com o Ministério da Defesa Britânico, as Forças Armadas Colombianas e a Marinha Brasileira e tem parcerias estabelecidas com o Exército Português, a Marinha Portuguesa, a GNR e a PSP, entre outras entidades. Ricardo Mendes, administrador e um dos fundadores da TEKEVER, explicou à Villas&Golfe o segredo do êxito desta empresa em constante crescendo que, em 2015, registou uma faturação de 25 milhões de euros (um crescimento de 20% face ao ano anterior).

Desde a fundação da TEKEVER já lançaram diversas spin-offs e têm escritórios em vários países. A que se deve este sucesso?

A estratégia foi, desde o primeiro dia, assente na criação de tecnologia inovadora transversal, e na sua aplicação a diversos tipos de áreas e mercados.?Durante os primeiros cinco anos, a TEKEVER concentrou os seus esforços na criação de uma plataforma tecnológica que permitisse o desenvolvimento rápido de soluções multicanal de elevada complexidade. A natureza revolucionária desta plataforma, denominada MORE (Model Once Run Everywhere), permitiu à TEKEVER impulsionar o seu crescimento em diversos sectores e mercados, e esteve na base das primeiras acções de internacionalização, em 2006. O sucesso obtido com a MORE ajudou a moldar toda a estratégia de desenvolvimento, que passa, para cada área tecnológica na qual se entende investir, pelo desenvolvimento de uma plataforma tecnológica inovadora, e pela sua aplicação e exploração em diversos mercados, em parceria com entidades com vasto know-how na área de aplicação. Adicionalmente, e porque queremos que todos os nossos produtos estejam totalmente adaptados ao tipo de missões que foram concebidos para realizar, criámos um programa de parcerias que nos tem permitido estabelecer relações de grande proximidade com os utilizadores finais.

 

A internacionalização era inevitável para uma empresa portuguesa a atuar na área da Tecnologia de Informação e nas divisões Aeroespacial, Defesa e Segurança?

Sem dúvida. 85% do nosso volume de negócios advém da internacionalização. A TEKEVER começou o seu processo de internacionalização alicerçada numa estratégia de produto, focada na criação de uma rede internacional de parceiros para distribuição e suporte a clientes, fundamental no mercado de Software Empresarial. Neste processo, abriu escritórios na China, nos EUA e no Brasil entre 2005 e 2006. Nos últimos anos, fez uma forte aposta no desenvolvimento de novas áreas de negócio, focadas nos mercados Aeroespacial, de Defesa e Segurança, o que levou à criação de várias linhas de produto e ao spin-off de várias empresas, nomeadamente focadas na área dos Sistemas Autónomos, Sistemas de Comunicação e Sistemas Espaciais. Com o intuito de suportar o desenvolvimento de negócios internacional destas novas áreas, iniciou uma nova fase de internacionalização e desenvolveu a sua presença no Reino Unido.    

«85% do nosso volume de negócios advém da internacionalização»    

Quais são os produtos do Grupo no sector espacial, onde se tem vindo a afirmar internacionalmente?

No âmbito das comunicações espaciais, o nosso principal produto chama-se Gamalink e funciona como uma espécie de internet do espaço, uma plataforma de comunicações para satélites, nomeadamente entre satélites e dos satélites com a Terra. No âmbito dos nano e microssatélites, estamos a ultimar o primeiro satélite feito integralmente em Portugal. Chama-se GAMASAT-1 e irá iniciar a exploração portuguesa do espaço como o primeiro satélite feito totalmente com tecnologia portuguesa. Estamos ainda a trabalhar em conjunto com um instituto brasileiro para fazer um satélite luso-brasileiro. Ambos serão lançados para o espaço no projeto europeu QB50, que usará igualmente o Gamalink como suporte de comunicações.

 

Também os drones da TEKEVER têm tido uma grande aceitação no mercado?

Os nossos equipamentos estão em contínuo desenvolvimento porque temos uma política de customização dos sistemas. Optámos por fazer parcerias de desenvolvimento tecnológico com os nossos utilizadores finais, sem uma lógica de aquisição de equipamentos ? Exército Português, Marinha Portuguesa, GNR e PSP, entre outros ? de forma a adaptarmos os equipamentos às necessidades de missões reais (vigilância, prevenção de incêndios florestais, patrulhamento marítimo, detecção de poluição nas águas, busca e salvamento, etc.).

2016 será um ano importante pela inauguração da nova fábrica, em Ponte de Sor. Por que escolheram o Aeródromo Ponte de Sor para instalar o novo espaço?

A localização desta nova fábrica teve em consideração a aposta consertada, sistemática e com provas dadas pela região neste sector específico. O investimento previsto será alavancado por um conjunto de infraestruturas pré-existentes e pela presença de diversos agentes privados, públicos e científicos que asseguram toda uma cadeia de valor propícia ao retorno exponencial do investimento efectuado. O conceito de cluster potencia o aparecimento de sinergias que fomentarão a sustentabilidade deste projeto. Sendo o mercado aeroespacial por definição internacional, esta nova localização contribuirá para que a TEKEVER e a indústria aeroespacial portuguesa se imponham definitivamente como competitivos, profissionais e manifestamente inovadores.

«Os nossos equipamentos estão em contínuo desenvolvimento porque temos uma política de customização dos sistemas»    

O que significa este novo espaço em termos de investimento?

Prevemos um investimento global superior a cinco milhões de euros no concelho nos próximos cinco anos e criar previsivelmente 60 postos de trabalho qualificados, que se juntam aos cerca de 150 colaboradores a nível mundial.


Quais são os próximos passos da TEKEVER?

Há ainda muito por explorar: cuidados de saúde, exploração do fundo do mar, planetas desconhecidos. Somos obcecados pela comunicação sem limites.

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