Escola Portuguesa de Arte Equestre

A elegância da tradição cavalar

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira
\\ Fotografia © Parques de Sintra Monte da Lua

De porte esbelto e aprumado, com o pêlo detalhadamente escovado e a crina a esvoaçar ao sabor do vento ou perfeitamente entrançada, o cavalo lusitano é a estrela da Escola Portuguesa de Arte Equestre, sediada no Palácio Nacional de Queluz. A elegância do animal, um símbolo da tradição cavalar portuguesa e com origens remotas no sul da Península Ibérica, é notável em cada trote, mas é durante os exercícios executados sob o comando dos cavaleiros que nos apercebemos da graciosidade desta arte. O ensino começa pela chamada Baixa Escola, dando possibilidade ao cavalo de aprender a executar os três andamentos básicos, ou seja, o passo, o trote e o galope. Aos poucos, o ritmo vai-se intensificando com marchas laterais até aos exercícios de Alta Escola, como o passage, o piaffer, as piruetas e ainda os ?ares altos?, que constituem o esplendor da equitação barroca do século XVIII e destacam-se pelas levadas, pousadas, curvetas, balotadas e capriolas, os exercícios que mais espanto trazem a quem assiste.

Recuperando a tradição da Real Picaria, uma academia da corte portuguesa do século XVIII, a Escola Portuguesa de Arte Equestre promove o ensino, a prática e a divulgação da arte equestre tradicional em Portugal desde 1979, montando exclusivamente cavalos lusitanos provenientes da Coudelaria de Alter, a antiga coudelaria da Casa Real Portuguesa fundada pelo rei D. João V. Destacada como um dos símbolos da perpetuidade do toureio equestre, permitindo a conservação do cavalo, da equitação, das selas portuguesas e dos trajes, esta escola mantém-se activa muito graças ao empenho e dedicação dos cavaleiros que, com a tradição equestre no sangue, vestem-se a rigor e auxiliam os cavalos a cumprir os mais complexos exercícios. Com o primor dos antepassados, os cavaleiros servem-se dos arreios e acessórios replicados pelos originais da Real Picaria, mas são os trajes que mais elegância imprimem nos momentos de lide. A casaca comprida de veludo bordeaux, aberta à frente e composta ainda por galão dourado e preto e grandes botões com as armas de D. João V em baixo relevo, é um dos elementos mais marcantes da indumentária. A compor estão os calções de montar, de cor bege e cós alto, e as meias de seda branca compridas, cobrindo o joelho. Dando o toque de requinte, o traje inclui também um tricórnio de feltro preto, com galão dourado e adornado por uma fita encarnada e branca sobreposta por um botão dourado. A vara de marmeleiro é um componente crucial da farda.

Vestidos a preceito e acompanhados pelo ostentoso cavalo lusitano, os cavaleiros da Escola Portuguesa de Arte Equestre apresentam-se no Picadeiro Henrique Calado, na Calçada da Ajuda, através de treinos matinais diários; espectáculos semanais de equitação clássica, com coreografias estruturadas e acompanhadas por música; e galas especiais com duração de 1h30, onde são exibidos os exercícios de ?ares altos? envoltos numa atmosfera que nos transporta para séculos que já lá vão. 

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