Lodge Kapembawé

Vista sobre a savana

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia Daniel Camacho

Um novo amanhecer. O sol irradiava a sua luz e calor. Estávamos prontos para seguir caminho. E seguimos! Deixámos o centro de Benguela e fomos à descoberta do Lodge Kapembawé. As vistas por entre as colinas, a distância, tanto e tanto tempo, passado em segundos. Entrámos num pedaço de estrada de terra batida, oito quilómetros de picada e as setas indicavam-nos o caminho: da esquerda para a direita, chegámos à portaria do Lodge. Imponente e vistosa. Do outro lado da entrada, esperava-nos o Parque Ambiental AMAC, com mais 12 quilómetros pela frente. Seguimos caminho. À medida que o íamos percorrendo, começámos a perceber a beleza paisagística do local. É extensa a savana africana! Continuámos em estrada de terra batida. Pressentimos animais ao longe, mesmo não sendo perceptíveis, e outros caminhavam quase lado a lado com a viatura onde seguíamos. Outros descansavam à sombra das árvores. Os arbustos escondem os mais envergonhados. As ervas, secas e soltas, deslizam com o soprar do vento. 

Estamos no cimo de uma montanha. Chegámos ao edifício principal, onde encontrámos a recepção, o restaurante Acácias Rubras, o bar e a esplanada, junto à piscina, onde é possível apreciar toda a savana e a sua beleza natural envolvente. Com o seu estilo rústico e uma decoração africana atractiva, todo o design deste espaço nos remete para a natureza, para o mundo animal. Este projeto incorpora uma área de dez mil hectares, toda vedada. São intermináveis os montes e colinas que avistámos. O Lodge tem como missão a sua povoação com animais e a protecção do ambiente e, por isso mesmo, os materiais utilizados na sua construção são sustentáveis e foram escolhidos criteriosamente. Tentaram criar um cenário, sem cores berrantes, de modo a que não chocassem com a natureza. Abundam a cor de terra, o verde da vegetação, as pedras pré-existentes e jangos com madeira e capim. 

Acomodámo-nos num dos bungalows disponíveis. Em todo o Lodge existem dez bungalow twin e dez para casais; duas residências com seis quartos para famílias; e 20 camas low cost (pensadas essencialmente para grupos de jovens). 

Lodge Kapembawé, um lugar para se desligar do trânsito e recuperar energias.

Logo quisemos partir à descoberta do parque, num safari. Seja de jipe, bicicleta ou a pé, é primoroso. Não vimos girafas, nem zebras, porque talvez a sorte não estivesse connosco, mas a variedade animal é tanta que outras espécies nos presentearam com a sua presença, como a cabra de leque, cavalos selvagens, bambis, gnus... Um dia não chega para percorrer este habitat natural. É tranquilo. O silêncio é apenas interrompido pelo chilrear dos pássaros, pelas pegadas dos habitantes locais e pelo som do obturador da câmara fotográfica. A natureza é mágica! É África! Depois, podemos ver os gansos e os crocodilos, os únicos que estão ?fechados? por razões de segurança, e têm um espaço próprio. Há toda uma panóplia de atividades que se pode fazer: passear na margem do rio Coporolo, onde se podem fazer piqueniques; praticar paintball ou mini-golfe; fazer uma massagem ao ar livre, com vista para a savana; conhecer as falésias onde se encontram três dos miradouros com vistas sobre o rio; sentar para namorar no baloiço e desfrutar da vista que a natureza proporciona. E os serões podem ser passados em redor de uma fogueira onde, à conversa e com um copo de vinho, se partilham experiências. A vista sobre a savana torna-se ainda mais atractiva e o céu estrelado enaltece os olhares sobre o horizonte.

O Lodge também dispõe de uma horta própria onde são cultivados alimentos: o tomate, o pepino, o pimento, o maracujá, a melancia, etc. Estes são apenas alguns dos ingredientes usados pelo chef Gonçalo João para confeccionar os mais deliciosos pratos. E a escolha é difícil: o Lombo de Novilho com Mandioca é dos mais apreciados, mas a Beringela com Camarão não lhe fica atrás, ou a Espetada de peixe, com Batata dourada, regada com vinho tinto. Para sobremesa, o ninho de crepes. Este é, sem dúvida, um espaço para se ir e querer voltar. Seja em que dia for e a que hora for, a vista é única: natureza pura!

 

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