Cereja do Fundão

O rubi da Serra da Gardunha

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira
\\ Fotografia Direitos Reservados

Pintando as paisagens da região com o branco das cerejeiras em flor, antes de colorirem a vista com o vermelho rubi, as cerejas do Fundão são um dos frutos mais apetecíveis quando o calor visita as terras portuguesas. Doces e luminosas, as cerejas da região são motivo de orgulho, fomentando as visitas turísticas e exercendo um forte pilar na sustentabilidade económica, movimentando, de acordo com a Câmara Municipal, cerca de 20 milhões de euros na economia local. «A cereja do Fundão tornou-se uma das frutas mais reconhecidas a nível nacional e internacional. O desenvolvimento de iniciativas, ligadas ao turismo e também à própria gastronomia, trouxe o reconhecimento da qualidade da nossa cereja», conta-nos o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, acrescentando que esse mesmo reconhecimento fez com que levassem avante a máxima Fundão, 365 dias à descoberta, prolongando o elogio à cereja a todos os dias do ano. Na época das cerejeiras em flor, por exemplo, as atividades que permitiam deslumbrar a beleza da paisagem desdobravam-se entre passeios de balão, pedestres, bicicleta ou até de comboio. Mas talvez o ato mais simbólico seja a possibilidade de apadrinhar as próprias cerejeiras. «O apadrinhamento de uma cerejeira, além de ter um papel educativo e de valorização da agricultura e do ambiente, é uma forma de ligar as pessoas a esta terra. Mais do que uma acção simbólica, apadrinhar uma cerejeira é assumir o compromisso de cuidar e proteger, é como a raiz que prende uma árvore à terra e a faz crescer sã e bonita», esclarece Paulo Fernandes. 

A cereja do Fundão exerce um forte pilar na sustentabilidade económica da região, movimentando cerca de 20 milhões de euros.

 

Além das experiências em tempo de cerejeiras em flor, o programa turístico que o município oferece, intitulado É tempo de Cerejas, permite acompanhar os momentos de apanha da cereja, em pleno pomar, bem como embarcar pela história do cultivo, numa viagem pela etnografia e pelos sabores locais, visitando o centro histórico da cidade.

Da árvore para o prato, a IV Rota Gastronómica da Cereja do Fundão, que decorreu até 3 de Julho, levou a cereja do Fundão aos mais saborosos pratos, confeccionados por consagrados chefs de estabelecimentos de Lisboa e do Porto. A ideia era simples: desenvolver menus inspirados no fruto, desde as entradas aos pratos principais, sobremesas ou cocktails. Os restaurantes Eleven, Tasca da Esquina, Cantinho do Avillez, Loco, Chapitô à Mesa, Fortaleza do Guincho, The Yeatman, Casa de Chá da Boa Nova, Largo do Paço e Pedro Lemos responderam ao desafio, dando ainda maior notoriedade ao potencial da cereja que, tão silenciosamente, cresce na Serra da Gardunha. 

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