Ferreira de Sá

Tapeçarias orgulhosamente portuguesas

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira
\\ Fotografia Ferreira de Sá

Por entre nós cuidadosamente dados pelas mãos de experientes artesãos, a Ferreira de Sá intitula-se a maior e mais antiga empresa do sector de tapeçarias artesanais em Portugal e na Península Ibérica. Com uma história marcada pela dedicação familiar que, de geração em geração, tem garantido o sucesso no mercado nacional e internacional, as Tapeçarias Ferreira de Sá são um símbolo da tradição portuguesa, que se reinventa ao longo dos tempos. Já lá vão 70 anos desde que Joaquim Ferreira de Sá fixou a sua fábrica manual de tapeçaria e cordoaria com tinturaria, que produzia carpetes, tapetes, passadeiras e alcatifas, na freguesia de Silvalde, em Espinho. E, mesmo com a sua partida precoce, os seus ensinamentos envolvidos em tamanha paixão pelo sector mantêm-se bem vivos nas memórias daqueles que, dia após dia, fazem da Ferreira de Sá um verdadeiro império no segmento de luxo. Hotéis, museus, lojas de prestigiadas marcas e casas particulares são alguns dos destinos dos produtos da empresa portuguesa.

Com uma veia empreendedora voraz e muita dedicação, Joaquim Ferreira de Sá foi o homem por detrás do nascimento da Ferreira de Sá. Rodeando-se de trabalhadores experientes, principalmente pelas mulheres provenientes da Póvoa de Varzim que traziam consigo o conhecimento do icónico ?ponto de Beiriz? (hoje conhecido como ?ponto português?, ainda muito utilizado nas tapeçarias produzidas manualmente pela empresa), Joaquim Ferreira de Sá está na origem de uma fábrica que, atualmente, todos os meses, produz cinco mil metros quadrados de tapetes e carpetes, graças ao cuidado de 140 trabalhadores. Com cerca de 90% da produção destinada à exportação e uma faturação anual em torno dos oito milhões de euros, a Ferreira de Sá é a responsável pela decoração, a nível de tapeçaria, de projetos hoteleiros ou comerciais espalhados por todo o globo. «Temos peças espalhadas um pouco por todo o mundo. De toda a Europa a Singapura, dos EUA ao Kuwait, dos países nórdicos a Angola», anunciam. A nível nacional, The Yeatman, no Porto; Hotel Corinthia, em Lisboa; e Vidago Palace, em Chaves; ou a nível internacional, Hotel Bristol, na Polónia; The Dorchester Hotel, em Londres; e Imperial Hotel, em Viena, são alguns dos exemplos de projetos onde são visíveis as tapeçarias produzidas pela Ferreira de Sá. Mas há mais. Fruto das ideias visionárias de Fernanda Barbosa, a presidente atual da empresa e membro da terceira geração da família Ferreira de Sá, que incorporou a técnica de hand-tufting (ou tufado manual; são pistolas que injectam e cortam o fio em telas verticais) e a técnica de robot-tufting (semelhante à anterior, mas a injecção de fio não é feita pela mão do trabalhador, mas sim por uma cabeça robotizada), aliando-as às técnicas artesanais e aos teares manuais, a empresa modernizou-se, aumentando a sua produtividade e reduzindo os custos de produção. Tornando-se cada vez mais competitiva, a Ferreira de Sá marcou a sua entrada num mercado por encomenda, deixando para trás as colecções estandardizadas que se faziam em teares mecânicos ao longo das décadas 60, 70 e 80, com o grande público como alvo. À extensa lista de hotéis e casas particulares, foram-se juntando pedidos de marcas prestigiadas, como a Jimmy Choo, em Londres; a Nespresso, em Paris; a Kenzo; a Calvin Klein; a Dior Homme; ou a Wickett Jones. O próximo passo? Depois de entrar a bordo dos iates de luxo, a Ferreira de Sá pretende voar com os aviões privados, decorando luxuosamente os espaços com as suas tapeçarias.    

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