Loco Restaurante

Uma pitada de loucura na cozinha

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira
\\ Fotografia Paulo Barata

A cada instante, os sabores conjugados de uma forma única e aprazível, que conquistam olhos e bocas, vão enchendo o espaço. Um espaço que não se faz de pratos, mas sim de momentos? já que muitas das iguarias não são propriamente servidas em pratos. Delicadamente cozinhados e apresentados, os produtos nacionais biológicos preenchem esses menus que respeitam o ritmo da natureza e a criatividade, por muito louca que seja, do chef Alexandre Silva. Mas o Loco é muito mais que loucura. Aliás, o seu nome é inspirado no latim in loco, cujo significado é no lugar e, neste caso, na cozinha, mas a confusão não desagradou o chef. Para ele, Loco é sinónimo de bravura e ousadia, mostrando que na cozinha tudo é possível. «O menu foi pensado para tirarmos o cliente da sua zona de conforto», assegura Alexandre Silva.

Com a tradição que emana dos bairros de Lisboa a misturar-se com os aromas que escapam do número 53B da Rua dos Navegantes, junto à Basílica da Estrela, o Loco, aberto desde Dezembro de 2015, convida a conhecer o sonho do chef Alexandre Silva. Com um interior dividido em duas zonas facilmente distintas pela cor ? a sala de refeições pincelada a branco e a cozinha, que ocupa a maior área do restaurante, a preto ?, a entrada surpreende graças à oliveira centenária suspensa. «A oliveira tem um significado muito especial. É inspirada nas árvores suspensas à saída das muralhas de Jerusalém. Simboliza a vida e o facto do Homem, se quiser, conseguir transportar vida para qualquer lado. A oliveira, tal como o Loco, depende de nós para viver. É a ligação entre a vida e o saber ser, saber estar e saber fazer», explica Alexandre Silva. É ainda visível, logo após os primeiros passos pelo restaurante, a garrafeira, em losangos de ferro e, na outra extremidade do espaço, a parede feita de azulejos em cerâmica que recria o efeito da icónica Casa dos Bicos.

Com uma cozinha que se funde com a sala, que conta 20 lugares divididos por apenas sete mesas ? mas que, mesmo assim, garantem o serviço de cerca de 420 pratos à hora de jantar ?, o Loco garante uma experiência gastronómica onde os sabores tipicamente portugueses são privilegiados. «Se queremos ser cada vez mais globais, temos de ser locais. A sustentabilidade deve ser uma das principais preocupações dos cozinheiros. Por isso, há ingredientes que não têm lugar no Loco: vieiras, trufas, caviar ou foie gras, porque o fine dining não é isso e, depois, não são produtos portugueses», menciona o chef. «Na estação mais fria que se aproxima, por exemplo, o fumo, o curado, o fermentado e o maturado farão parte do menu», acrescenta. E, já que falamos em menus, convém explicar que no Loco existem dois menus à escolha, compostos pelos chamados ?momentos? gastronómicos. O menu Descobrir, por exemplo, é uma introdução à cozinha de Alexandre Silva e presenteia os clientes com 14 momentos que incluem quatro snacks, seis pratos e duas sobremesas. O menu Loco, por sua vez, é o menu total, com um mínimo de 18 momentos imprevisíveis e surpreendentes. A acompanhar estão os vinhos portugueses, os sumos naturais fermentados, os licores de ervas ou as cervejas artesanais produzidas pela equipa, que o chef tanto elogia.

 

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