Buddha Eden

O Espírito da paz

\\ Texto Maria Amélia Pires
\\ Fotografia © Bacalhôa Buddha Eden

Seja bem-vindo quem vier por bem! Aqui não há credos, nem raças, etnias, idade ou condição social. Aqui faz-se o caminho contrário àquele que levou o governo Talibã a destruir intencionalmente monumentos únicos do Património da Humanidade. Foi esse ato atroz, a devastação dos Budas Gigantes de Bamyan, no Afeganistão, o impulsionador da construção do Bacalhôa Buddha Eden, em homenagem à perda daquela herança milenar.

Quando Joe Berardo comprou, no Bombarral, a Quinta de Loridos e houve necessidade de se construir um lago que funcionaria como sistema de rega, era já um jardim que se desenhava aos olhos do Comendador, homem apaixonado pela natureza e pela arte. O projeto teve início em 2001 e, durante um ano e meio, 6000 toneladas de granito e mármore aportaram na Quinta, transformando-se em Budas e outras figuras orientais, como peixes koi e dragões. Também 700 soldados de terracota, iguais aos da China de há 2200 anos, foram espalhados pelos 35 hectares.

A secção dedicada à Escultura Moderna e Contemporânea é constituída por peças frequentemente substituídas da Colecção Berardo, como por exemplo de Joana Vasconcelos, Alexander Calder, Fernando Botero, Tony Cragg e muitos outros, e encontram-se rodeadas de plantas diversas. Já o sector das Esculturas Africanas, com mais de 200 esculturas sob a sombra de mil palmeiras, é dedicado ao povo Shona do Zimbabué, que há mais de mil anos esculpe pedra à mão, «libertando o espírito da pedra».

Aparentemente repetido vezes sem conta, de sorriso doce e insondável, e prendendo no olhar a natureza, o Buda dá as boas-vindas, elevando-se a 21 metros de altura, com 732 toneladas, distribuídas por 278 peças. Mais abaixo na escadaria, o príncipe espera a morte, deitado ao longo de 15 metros, segurando a cabeça como quem segura a vida, sereno, pétreo, mas quase sensível, impenetrável, mas quase terno.

No lago ziguezagueiam as carpas, as aves solfejam melodias? e subitamente, um, outro e mais outro budas aparecem em silêncio, em posição de lótus ou não, por detrás de um sobreiro, de um arbusto ou de uma curva do caminho. Este é um lugar de reconciliação, de meditação, de passeio. Um lugar onde se aprende a arte de escutar: o nosso próprio coração, o pulsar da natureza ou o espírito da paz.

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