Diogo Miranda

«Acho que a mulher portuguesa ainda está a descobrir como a moda a pode ajudar»

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira
\\ Fotografia 1 - Joel Bessa; Direitos Reservados

Com uma visão elegante e sofisticada, Diogo Miranda é o designer de moda que, de estação para estação, tem mostrado às mulheres portuguesas o poder que o cuidado a nível de vestuário pode ter. «A forma como nos vestimos acaba sempre por ser a nossa forma de expressão perante a sociedade e o mundo», declara. Apresentando colecções inspiradas no ambiente que o rodeia e nas experiências que a vida lhe tem concedido, o jovem português, que cresceu folheando as revistas de moda e aprendendo com o talento da família na indústria do calçado, tem conquistado um lugar no mercado internacional, que se abre à sua passagem. De Paris a Nova Iorque, vestindo personalidades reconhecidas pelo estilo e elegância, Diogo Miranda mostra o seu olhar perspicaz e criativo em cada colecção. Para o próximo Outono/inverno, por exemplo, reinterpreta as criações de mobiliário desenhadas pelo icónico austríaco Josef Hoffmann, colocando as linhas limpas e precisas nos seus desenhos.

Hoje, olhando para trás e recuperando as memórias dos primeiros tempos, é um Diogo Miranda diferente? É óbvio que a experiência o tornou um homem diferente, mas acha que mantém o mesmo fulgor do início? Como se descreve enquanto designer de moda?

A cada seis meses tenho a oportunidade de renovar o fulgor. São sempre novas histórias, novas experiências, novas ideias e claro que a maturidade e as experiências de vida acabam por ser essenciais. Tento sempre passar esse sentimento colecção após colecção. É provável que, antigamente, não tivesse a consciência de alguns pormenores a que hoje em dia dou extrema importância. É o fator maturidade. Neste momento, ser designer de moda em Portugal e no mundo é um desafio constante. O mundo está constantemente a mudar e um designer tem de estar disponível para abraçar qualquer oportunidade que surja e ter a capacidade para responder, porque aquele pode ser o momento de sorte que mudará a sua vida para sempre. Ser polivalente, trabalhador e lutador são palavras de ordem, porque o designer tem de ser patrão, designer criativo, modelista, contabilista e, se for necessário, ainda limpar o estúdio.

 

Espírito couture, sofisticação, requinte, rigor, sensualidade e exclusividade. É assim que descreve o espírito das suas colecções?

As colecções são sempre pensadas e realizadas com um único objetivo: conquistar os clientes, afirmando a imagem da marca no mundo como uma imagem forte, atual e inovadora. Sem esquecer que é importante que a colecção transmita segurança e serenidade ao cliente, mostrando que está a fazer um bom investimento.

 

Como descreve a mulher portuguesa? É uma mulher que facilmente abraça as tendências ou tem receio de arriscar?

Acho que a mulher portuguesa ainda está a descobrir como a moda a pode ajudar. Penso que não é um público open mind, que abrace as tendências logo à primeira vista. Primeiro precisa de ver a tendência em mais do que uma pessoa e depois, sim, usa-a. Nisso acho que não somos pioneiros. Só usamos as tendências depois de a vermos nas outras pessoas.

«Portugal ainda está no processo de reconhecer o que realmente de bom tem»

Na sua atual colecção de Outono/inverno, qual é a mensagem que pretende transmitir? Que tipo de mulher quer vestir com esta colecção?

A colecção de inverno é muito especial. Descobri o trabalho do designer de produto austríaco Josef Hoffmann quando procurava peças de mobiliário para decorar a minha casa e fiquei fascinado com o trabalho dele. As formas clean acompanhadas por linhas precisas e com detalhes que têm tudo a ver com a minha visão da moda. Pensei então: porque não fazer uma colecção inspirada em mobiliário?! Esta colecção apresenta-se como uma trama narrativa visual, uma mulher que acolhe a mudança, o desafio e a feminilidade contemporânea. Linhas puras e mangas sobredimensionadas são trabalhadas com pormenores elegantes e distintos.

 

A ausência de cor ? à excepção do marfim e do azul riviera ? é um dos aspetos centrais das suas propostas para o Outono/inverno. É uma forma de acrescentar dramatismo ao género feminino?

Por ser uma colecção de inverno, pelo tema escolhido e também por tornar a colecção mais forte a nível visual, escolhi como base o preto e o marfim. São cores intemporais e que ficam sempre elegantes.

 

E os cintos em forma de laço?

Os cintos em pele com forma de laço foram usados de forma a complementar os looks, dando um ar dramático, mas ao mesmo tempo delicado, feminino, clean e elegante.

 Num momento em que a moda parece viver numa correria, com designers a emergir e desfiles frequentes, o que é necessário para marcar a diferença?

Hoje em dia, uma marca/designer tem de se desdobrar em mil. Temos de fazer as colecções principais de inverno e Verão, as colecções de meia-estação apelidadas de Resort e Pre Fall e, ainda, desenhar algumas colecções cápsula. Depois existem as campanhas publicitárias, os planos de marketing e comunicação, etc. O modo como vivemos e a força das tecnologias e do e-commerce veio ajudar a quebrar as barreiras que existiam entre consumidor/marca, mas, por outro lado, perdeu-se o interesse porque a correria e a sede de novidades é tanta que o nosso produto é facilmente ?abafado? pelos seguintes de outras marcas. Para marcar a diferença, o produto tem que ter todo um mundo à volta. Tem de transmitir ao consumidor serenidade, confiança e qualidade.

 

«Praticamente todas as vendas são para o mercado estrangeiro, o que me deixa contente»    

Num momento em que a moda parece viver numa correria, com designers a emergir e desfiles frequentes, o que é necessário para marcar a diferença?

Hoje em dia, uma marca/designer tem de se desdobrar em mil. Temos de fazer as colecções principais de inverno e Verão, as colecções de meia-estação apelidadas de Resort e Pre Fall e, ainda, desenhar algumas colecções cápsula. Depois existem as campanhas publicitárias, os planos de marketing e comunicação, etc. O modo como vivemos e a força das tecnologias e do e-commerce veio ajudar a quebrar as barreiras que existiam entre consumidor/marca, mas, por outro lado, perdeu-se o interesse porque a correria e a sede de novidades é tanta que o nosso produto é facilmente ?abafado? pelos seguintes de outras marcas. Para marcar a diferença, o produto tem que ter todo um mundo à volta. Tem de transmitir ao consumidor serenidade, confiança e qualidade.

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