Azeite Romeu

O puro sumo da azeitona

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira
\\ Fotografia © Quinta do Romeu

Por detrás de extensos olivais, numa área de cerca de 120 hectares, a Quinta do Romeu esconde uma história de ousadia e tradição familiar. É daqui, na região de Trás-os-Montes, que sai um dos melhores azeites do mundo, mas o selo de qualidade é hereditário. Tudo teve início pelas mãos de Clemente Menéres que, em 1874, fundou a Quinta do Romeu, uma propriedade que hoje, por entre vinhas e olivais, ocupa oito concelhos do distrito de Bragança. Com uma visão empreendedora que o levou a emigrar para o Rio de Janeiro com apenas 15 anos, e regressar cinco anos mais tarde com ainda mais ambição na bagagem, Clemente Menéres foi o responsável pela criação da primeira fábrica de conservas e de rolhas em Portugal. Em 1974, a sua aventura levou-o até Bragança, onde fundou a Quinta do Romeu, refazendo as vinhas que se encontravam destruídas e expandindo os olivais. Atualmente, guardando as memórias do passado como vínculo para o sucesso, é a quarta geração da família, composta por João Pedro Menéres, José Clemente Menéres e Manuel Menéres Sampaio, que mantém viva a alma da Quinta do Romeu. 

O Azeite Romeu foi considerado o melhor azeite do mundo por especialistas italianos, alemães e israelitas    

E, bem no centro dessa alma, está um azeite exclusivo. Proveniente dos olivais que crescem na encosta, em solos xistosos, o Azeite Romeu é um azeite Extra Virgem, resultante de uma produção completamente biológica, ou seja, sem a utilização de nenhum produto químico no processo de cultivo ou processamento. Com uma produção anual que pode chegar aos 30 mil litros, este azeite é puro sumo de azeitona. Porquê? A razão está no método de fabrico: no próprio dia da apanha, ou no seguinte, a azeitona é depositada num lagar próprio, de forma a conservar a frescura. É feita uma lavagem em água pura, seguida de um esmagamento num moinho de granito, que dará origem a uma pasta que será lentamente batida para se extrair o azeite para um decanter de duas fases: numa das fases sai o azeite puro e, na outra, a chamada água ruça composta pela matéria sólida da azeitona. No final, o azeite é passado por água e totalmente separado da mesma, ficando pronto para ser armazenado em cubas de aço e, mais tarde, engarrafado em embalagens de vidro escuro onde é visível a citação «Puro como Deus o deu».

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