Corticeira

Nuno Barroca

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia © PMC

Filho único. Nascido e criado na cidade do Porto, Nuno Barroca é, atualmente, o Vice-Presidente da Corticeira Amorim - empresa fundada em 1870 por António Alves de Amorim. Nuno, desde jovem, mostrou interesse por viajar e pelo desporto, nomeadamente o ténis. Em modo de graça confessou-nos que até era «um óptimo jogador, mas não um óptimo profissional de ténis», e, por isso, decidiu tirar o curso de Gestão de Empresas. Trabalhou na área da banca em Londres, passou pela Noruega e há 15 anos ingressou no grupo Amorim. Em entrevista à Villas&Golfe fez-nos um balanço da Corticeira Amorim, do posicionamento da Empresa no mercado nacional e internacional, do investimento em Inovação e da sua atividade enquanto membro da quarta geração da família que lidera este grupo empresarial.

 

Há três anos foi eleito vice-presidente da Corticeira Amorim. O que significou isso?

Foi uma honra, passados 12 anos a trabalhar no Grupo, terem-me dado essa incumbência e responsabilidade. A família está neste negócio há mais de 145 anos e temos aqui um legado. Obviamente que é um grande desafio.

 

Tornou-se um dos rostos da Corticeira Amorim…

Isto é um grande grupo de pessoas e não obra de apenas uma ou duas pessoas. E, claramente, que o líder da Corticeira Amorim, António Amorim, é a pessoa que hoje lidera este projeto. Temos um grande segredo: a capacidade de nos fazermos rodear por uma grande equipa e bons profissionais. É um trabalho de todos…

 

Todos e, nomeadamente, o Nuno?

Não me atribuo tal protagonismo. É com muito gosto e sentido de missão que exerço as actuais funções nesta grande equipa, que tem mais de 96% das suas vendas fora de Portugal, uma presença física em mais de 38 países e vendas mais de 100 países.

 

Nomeadamente com os revestimentos?

Os revestimentos são um bom exemplo, não o único no Grupo… mas são um excelente exemplo. Hoje, disponibilizamos soluções inovadoras aos consumidores, como um revestimento à prova de água – que é o Hydrocork - para além das soluções mais tradicionais.

 

Hoje, pensar em cortiça não é apenas ‘em rolha’?

Correto. Hoje, a área das rolhas, ainda representa cerca de 60% das vendas, mas há, claramente, uma aposta em outros negócios, como é o caso dos revestimentos, onde vamos investir cerca de 10 milhões de euros numa nova linha de produção e na recente construção do novo Centro de Inovação Colaborativa e Investigação Aplicada (CICIA).

 

A Amorim Cork Ventures também iniciou a sua internacionalização…

Lançámos primeiro em Portugal e desde então recebemos mais de 300 propostas de empreendedores provenientes de 25 países. Até ao momento apoiamos a incubação de 10 projetos e investimentos na constituição de quatro startups. Gostaria que depois de Portugal e Barcelona, estivéssemos nos Estados Unidos a trabalhar com empreendedores deste país.

 

A indústria da cortiça é sustentável. A longo prazo também podemos dizer que sim?

A indústria da cortiça é sustentável e é um exemplo de sustentabilidade. Temos desafios, obviamente. Um deles prende-se com a quantidade de matéria-prima necessária para suportar o crescimento. Neste contexto a Corticeira Amorim anunciou recentemente que vai plantar 500 hectares de montado de regadio, em parceria com produtores florestais, com vista a melhorar o retorno de quem investe no montado de sobro. 

«Pretendo dar um contributo que as próximas gerações da família se possam orgulhar»

Pertence à quarta geração. Que contributo quer deixar?

Pretendo dar um contributo que as próximas gerações da família se possam orgulhar, perseguindo empresa a missão da empresa, que é “acrescentar valor à cortiça, de forma competitiva, diferenciada e Inovadora, em perfeita harmonia com a Natureza”. E é com esta missão que continuaremos a reforçar as credenciais de uma empresa sólida, internacional, com ambição e respeitada por todos os stakeholders. Gostava de chegar a mil milhões em vendas, hoje faturamos acima dos 600 milhões euros.

PARTILHAR O ARTIGO \\