Bagan

Sobrevoar o tempo

\\ Texto Andreia Filipa Ferreira
\\ Fotografia © Eastern Safaris

Ao raiar do dia, quando os primeiros sinais de sol se mostram por entre a neblina, Bagan ganha o encanto de uma cidade que parece não ter dado pelo tempo passar. Tantas vezes considerada capital dos reinos que compuseram Myanmar, antiga Birmânia, Bagan é uma das mais inacreditáveis maravilhas do mundo, apesar do rótulo da UNESCO não lhe ter sido concedido (devido às intervenções feitas que não respeitaram o estilo arquitectónico original). De encanto singular, nas margens do rio Ayeyarwady, esta antiga capital de um império foi construída entre os séculos XI e XIII, principalmente pelas mãos do imperador Anawrahta, que implantou o budismo Theravada e mandou erguer milhares de templos naquela planície árida. Hoje, Bagan ainda revela o centro espiritual e cultural dos tempos remotos, sendo visíveis os santuários budistas que atraíam monges e estudantes de toda a Ásia, por uma área que se estende por mais de 40 km2.

Sobrevivendo a intempéries e invasões, milhares de templos repousam na planície de Bagan, a aguardar pela visita dos aventureiros que partem em busca de um conto épico, daqueles que parecem existir apenas no imaginário de literários. E, para esses aventureiros que sonham mais alto que o céu, talvez a melhor forma de conhecer Bagan seja exatamente nas alturas. Levantando às primeiras horas do dia, diversos balões de ar quente sobrevoam os santuários, exibindo uma autêntica obra de arte pintada por edifícios pontiagudos e piramidais com cúpulas douradas. Com pequeno-almoço, fruta ou champanhe a bordo e oferecendo panorâmicas deslumbrantes, os balões operados pela Eastern Safaris, por exemplo, levam os visitantes a conhecer, do alto, os mais conhecidos templos, como o icónico Shwezigon ou Ananda, o Shwesandaw, reconhecido pelos fantásticos pores-do-sol, e o Thatbyinnyu, um dos mais altos de Bagan. Já em terra, os passeios de bicicleta pelos trilhos que parecem levar o viajante numa odisseia pelo tempo são, da mesma forma, convidativos. Independentemente da opção de meio de transporte, certifique-se que não perde a despedida do sol, que lentamente parece enaltecer o brilho da cidade. 

PARTILHAR O ARTIGO \\