Campos de Golfe

Benjamim Silva

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia ©PMC

Licenciado em Engenharia Hortofrutícola (conhecida atualmente por Engenharia Agronómica), começou a carreira como diretor de laboratório, trabalhando com a cultura in vitro, e, ainda mal se falava desta área a nível mundial, Benjamim foi, praticamente, dos primeiros a trabalhar em micropropagação em Portugal. Mais tarde, foi desafiado para trabalhar em espaços verdes, jardins, no Algarve. Tornou-se sócio dessa empresa, tendo, posteriormente, a mesma passado a trabalhar com áreas ligadas ao golfe no campo do Salgados. E não se parou mais! Do Salgados para o campo de golfe de Amarante, seguiu-se Castelo de Vide, Belas… e assim se tornou um homem do golfe, não tanto como jogador da modalidade, mas mais como construtor de magníficos campos. Já lá vão 24 anos! 

Quem é este Benjamim no mundo do golfe?

Sou eu (risos).

 

Como é que um homem ligado à Engenharia Agronómica passa uma vida dedicada a campos de golfe?

Só me servi dos meus conhecimentos agronómicos e da multidisciplinaridade que, em agronomia, somos obrigados a ter e dos conhecimentos em fisiologia vegetal, conhecer o golfe enquanto desporto, como é o desenho do golfe e como o construir para obter o resultado pretendido do projeto.  

 

Mas não estudou nesta área…

Foi a experiência. Ouvir os arquitetos, aprender com eles, aprender com outras pessoas da área. Tive a oportunidade de trabalhar com muitos estrangeiros, americanos e ingleses, que já tinham outra tradição.

 

Em 24 anos já esteve envolvido na construção…

De 22 campos.

Não só em Portugal?

Em Portugal, de norte a sul- desde Amarante até Cacela. Em Abu Dhabi, construí um campo de golfe desenhado pelo Gary Player, o Saadivat Beach Golf, e, recentemente, no Brasil, o campo Olímpico, do arquiteto Gil Hansen, e com Arnold Palmer, em São Paulo.

 

O Olímpico foi especial…

Deu-me um gozo especial. Primeiro, pelo facto de ser o 1.º Campo Olímpico de sempre, é uma marca que ninguém nos tira. Ninguém mais vai construir o 1.º Campo Olímpico. Ficou na história. E, por outro lado, por termos concorrido lado a lado com empresas americanas, inglesas, mexicanas, argentinas, brasileiras e foram os portugueses a ganhar (risos).

 

Aliás, houve dois portugueses a experimentá-lo nas olimpíadas…

Quer o Ricardo quer o Lima elogiaram bastante o campo. O campo foi amplamente elogiado pela sua qualidade e toda a equipa da ProGolf foi homenageada pelas diferentes organizações envolvidas (PGA Tours, IGF, Comité Olímpico, Confederação Brasileira de Golfe, entre outras).

 

Que papel assume o Benjamim na ProGolfe e num campo de golfe?

Sou sócio gerente da ProGolfe e nos campos que executamos, assumo a direcção do projeto. Na construção de um campo pegamos nos meios mecânicos e humanos, conjugados com os materiais devidos e reproduzimos aquilo que o arquiteto imaginou. Eu disse imaginou, não disse desenhou. Porque os arquitetos desenham em planimetria e nós temos de reproduzir em três dimensões. Isto obedece a inclinações, forma, critérios, que muitas vezes só existente materializadas na imaginação dos arquitetos.

 

Quanto tempo demora a construir um campo de golfe?

Em média entre 18 a 20 meses. 

«Esta área tem um problema que é o querer abandonar e não se conseguir.»

Que projetos futuros o Benjamim se vê a fazer?

Há muitos. Esta área tem um problema que é o querer abandonar e não se conseguir. Atualmente, estamos com o projeto do Falésia Golfe, em Óbidos e com a Quinta da Ombria, em Loulé. 

Há algum país onde gostava de deixar o seu cunho?

Há. Estamos, neste momento, envolvidos num projeto na Croácia. Um projeto desafiante, todo em pedra, mas o sítio é lindíssimo, o mais bonito que se pode imaginar para construir um campo de golfe. Também há um projeto que vou gostar muito de fazer, que fica no sopé de Machu Picchu, no Peru.

 

Um homem rodeado de golfe, mas não muito de tacadas…

É verdade. Eu bem que gostaria de passar mais tempo no campo a jogar, mas para quem vive a semana toda ligada ao golfe… respira golfe…

 

E as poucas tacadas que dá são certeiras?

(Risos). Eu e a minha equipa somos sempre os primeiros a estrear os campos que construímos. Isso é um privilégio que ninguém nos tira.

 

Handicap…?

Em média 28 

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