Saúde

João Bacalhau

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia Direitos Reservados

A ligação de João Bacalhau, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Hospital Particular do Algarve (HPA), ao Algarve remonta a 1981, altura em que projetou o Complexo Turístico Clube Alvorférias, tendo sido inaugurado quatro anos depois. Foi, para ele, a primeira experiência algarvia. A saúde algarviense, nessa altura, era escassa. Não havia muita oferta. João, assistindo às falhas do sistema de saúde, percebeu que tinha de haver outros meios para dar resposta àquela população estrangeira que ocupava o complexo turístico. Foi então, com esta lacuna, que surge a ideia de criar o HPA. Hoje, 20 anos depois, os cuidados de saúde no hospital são para estrangeiros e residentes. O grupo tem vindo a expandir-se, no território português.

 

Como rosto da sáude do Algarve, de que forma analisa a saúde do HPA?

Vai muito bem, pois mantém-se fiel à governação clínica que delineámos desde o primeiro dia. Assente na qualidade, diferenciação e inovação. Hoje, cobrimos quase a totalidade de especialidades médicas e de diagnóstico e disponibilizamos uma tecnologia que nos permite responder a praticamente todas as solicitações. 

«Acreditamos que não há turismo se não existirem ofertas de saúde com qualidade e diferenciação»

No Algarve a saúde e o turismo andam de mãos dadas?

Sem dúvida que são ambos fundamentais. Aliás, acreditamos que não há turismo se não existirem ofertas de saúde com qualidade e diferenciação. Também, sem falsas modéstias, cremos que temos contribuído de forma importante para o crescimento do turismo da região, exatamente pela oferta de cuidados de saúde com qualidade e recursos humanos treinados para a hospitalidade multicultural. Presentemente temos uma oferta alargada de pacotes cirúrgicos, na área da cirurgia geral, estética, oftalmologia, ortopedia ou urologia, por exemplo, mas disponibilizamos igualmente programas de prevenção e promoção da saúde, com a oferta de check-ups globais e integrados, com um enfoque importante na medicina anti-aging

Qual é o verdadeiro desafio para o bom funcionamento de uma unidade hospitalar como esta?

Existem dois denominadores comuns: um que se relaciona com a gestão centralizada e vocacionada para a qualidade dos cuidados médico-cirúrgicos e os cuidados do internamento; e o outro aspeto é a comunicação em rede. Há, todavia, três vetores operacionais: hospitalidade e serviços hoteleiros de qualidade, diferenciação tecnológica e recursos humanos de excelência.

 

Quantas unidades tem o grupo?

Neste momento temos oito unidades. Três hospitais: em Portimão, temos o de Alvor e o Hospital de São Camilo; em Faro, temos o Hospital Particular de Gambelas. As cinco clínicas estão espalhadas por toda a região, desde a serra de Monchique à extremidade do Sotavento, em Vila Real de Santo António.

 

Pretendem expandir, a nível nacional, o HPA?

Sim, estamos, neste momento, em processo de expansão para fora da região do Algarve. Iniciámos a construção do Hospital Particular da Madeira no âmbito do Turismo em geral e do Turismo de Saúde em particular. Em Loulé, teremos uma clínica no Centro Comercial Mar Shopping que cremos será inaugurada para o ano, e em São Brás de Alportel estamos a construir, em parceria, outra clínica de raiz.

 

Que tipo de utente procura os vossos serviços?

Os turistas continuam a ser uma parcela importante do nosso atendimento e da nossa faturação. Neste grupo a representação do Reino Unido é importante, mas também temos uma percentagem significativa de holandeses, alemães e angolanos.

 

Deduzo que o João tem uma vida ocupadíssima. Como é a sua vida?

A família, os meus filhos e netos, são sem dúvida o alicerce do meu bem-estar e procuro estar sempre que posso na sua companhia. Desporto infelizmente não faço com regularidade, vou fazendo umas caminhadas. Viajar é talvez a única atividade que me resta para além do trabalho.

 

Daqui a dez anos o que se vê a fazer?

Gostaria de já não estar a trabalhar as horas que ainda hoje trabalho. Mas é possível que as ideias, os projetos continuem a surgir. A concepção e a criação foram sempre as atividades que mais prazer me deram, ou seja, «fazer acontecer». Por isso, é bem possível que ainda ande a «fazer acontecer» (risos). 

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