Arquitetura

Vasco Vieira

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia Marcelo Lopes

Nas veias traz a lembrança de África do Sul, país onde nasceu e estudou; na alma traz a beleza e a audácia do sul de Portugal, o Algarve; da experiência de vida transporta os magníficos projetos arquitectónicos que já desenvolveu, ao longo de 22 anos. Deixou África para trás e apostou nas terras portuguesas para viver e firmar o seu valor. E o mundo conhece-o. Atualmente, o Arqui+, seu atelier, tem em mãos mais de 50 projetos de arquitetura, mas concretizados já são cerca de 500. E a coisa que o deixa mais satisfeito, quando finaliza um projeto, é ouvir do cliente: «Vasco, isto deve ser a tua melhor obra!». Vasco talvez já não sinta necessidade de provar isso. Com um curriculum tão extenso em projetos e obras feitas, é considerado um dos melhores arquitetos do país e, quiçá, do mundo.

 

Porque deixou África?

Por questões de segurança. Acabei o curso, vim para Portugal. Durante os estudos trabalhava em ateliers. Um dia convidaram-me para sócio partner de um atelier grande, mas decidi que não tinha futuro na África do Sul e vim para Portugal.

 

Como foi estabelecer-se cá?

Estive seis meses desempregado. Depois surgiram três propostas ao mesmo tempo: um atelier em Coimbra, outro de Lisboa, mas arrisquei e decidi o Algarve, Vale do Lobo. Comecei como arquiteto júnior; passado ano e meio subi para arquiteto chefe; e passado mais um ano escolheram-me como diretor de construção. Durante oito anos. Depois decidi criar o meu atelier.

Que dificuldades encontrou no mercado?

Quando montei o atelier foi em parceria com um sócio, mas trabalhava em regime de part time em Vale do Lobo. Só quando desisti a 100% do Vale do Lobo é que as coisas começaram a correr bem no meu atelier. Comprei a sociedade na totalidade e as coisas começaram a andar. Mas a maior dificuldade era a questão da linguagem. O Algarve era muito virado para o clássico tradicional, e eu vim impor uma linguagem completamente diferente, assim tinha liberdade total. Uma coisa é ver a obra numa imagem, outra é sentir a imagem. É uma sensação de espaço, ligação interior, exterior, o aproveitamento de espaços, criar zonas de estar, jantar e exteriores…

 

Há algum projeto que considere sempre o melhor?

Aqueles que me dão mais liberdade. Já fizemos projetos em toda a parte do mundo.

 

No mundo…?

Em Marrocos, Rússia, Lituânia, Espanha, França, Brasil, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Dubai, Kuwait, Angola, Cabo Verde. Tenho obra construída em Inglaterra, África do Sul, mas a maioria está aqui em Portugal. Há uma obra que vai ser agora construída no Dubai. Na Lituânia fizemos um eco resort, o primeiro projeto na história da Lituânia aprovado numa zona ecológica, com um arquiteto estrangeiro.

 

E em Miami, o que está em curso?

Estamos a montar um showroom, com parceiros locais, mas é mais para expandir a parte de interiores, que existe há dois anos, da Arqui+. Vamos inaugurar em Dezembro o atelier em Miami na época em que decorre na cidade o evento ART Basel.

 

Projetos diferenciadores?

Estamos a desenvolver o primeiro W hotel em Portugal. Estamos a fazer o primeiro shopping de luxo em Vilamoura.  

 

Via-se a fazer outra coisa que não Arquitetura?

Só se fosse desportista. Sempre gostei de golfe. Se não fosse arquiteto tinha-me dedicado ao desporto.  

«Continuo a dizer que Portugal tem os melhores arquitetos»

Como vê a Arquitetura em Portugal?

Como disse, tenho projetos em toda a parte do mundo. Mas continuo a dizer que Portugal tem os melhores arquitetos. São reconhecidos. Todos os países onde vou falam muito bem da nossa Arquitetura. Temos boa escola, e acho que o estrangeiro, muitas vezes, aprecia muito mais o nosso trabalho que o cliente nacional.

 

Quando pensa num arquiteto, quem lhe vem à ideia?

Os três grandes: Mies Van der Rohe, Le Corbusier e o Frank Lloyd Wright. Eram os que me inspiravam na faculdade. Mas há muitos arquitetos que eu admiro. Fui sempre uma pessoa que tentou fazer aquilo que quer, sem olhar muito ao trabalho dos outros. A base está lá, International Style.  

Deixou África do Sul. Valeu a pena?

Valeu. Continuo a dizer que não há melhor sítio para viver do que o Algarve. 

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