Marinela Rodrigues

«Sempre gostei de roupa e sou louca por sapatos»

\\ Texto Andreia Barros Ferreira
\\ Fotografia Pedro Soares; Direitos Reservados

Vencedora do Mozambique Fashion Week por três vezes, duas das quais como Young Designer e uma como Melhor Estilista Estabelecido, Marinela Rodrigues vai buscar inspiração ao dia a dia, às coisas simples de Moçambique, de África e do mundo. Dias após o seu regresso de Macau, onde participou no Macau Fashion Link, encontrámo-nos com a estilista para conversar sobre as suas origens e os seus projetos para o futuro. A criação de uma escola superior de moda e a internacionalização da sua marca são os seus principais objetivos.

© Direitos Reservados

Voltou recentemente de Macau. O que foi lá fazer?
Fui a convite do Macau Fashion Link. Fui a representante de Moçambique. Para além dos desfiles de moda, que aconteceram durante dois dias, houve workshops.
Era um evento muito bem organizado e minha participação correu muito bem. Levei algum trabalho feito em capulana, mas levei também outras coisas.
 
O que é a moda Marinela Rodrigues?
Eu faço pronto-a-vestir, porque gosto muito de simplicidade. Eu não só trabalho com a capulana, como também trabalho com seda, com roupa usada, faço estilização, transformo uma calça numa saia, uma calça num vestido.
Aqui em Moçambique há uma grande diversidade cultural e por isso não faria sentido trabalhar somente com a capulana, até porque há pessoas que não gostam de a usar.
Aliás, muitos dizem que a capulana é moda africana; não é. A capulana não foi criada na África; nós africanos usamos muito a capulana, mas o batique em si é holandês.

«Vamos abrir uma loja online porque não nos queremos centrar apenas em Moçambique»    

Não trabalha em alta-costura por opção?
Sim. Eu gosto de alta-costura, mas acho o pronto-a-vestir mais fácil. A alta-costura precisa de mais dedicação. Em Moçambique especialmente não é fácil, até porque aqui não temos universidade de moda; temos algumas escolas de arte, mas não uma universidade.
 
Já teve lojas, mas fechou-as. Porquê?
Já tive uma loja de 2008 a 2010. Depois fui viver para o Zimbabué, também para o Haiti e fechei a loja. Agora vamos abrir uma loja online porque não nos queremos centrar apenas em Moçambique, mas internacionalmente.
 
Como é que enveredou pelo mundo da moda?
Eu sempre gostei de roupa, sou louca por sapatos, bolsas e relógios, e por isso acho que foi natural.  
Quando estava em Angola, em 2005, vi um programa na televisão sobre jovens estilistas e novos talentos e falavam de Moçambique. Juntei-me a uma amiga e começámos a criar. Fazíamos uniformes, ela estava nas máquinas, cozia, e eu fazia os desenhos, dava-lhe as ideias.
Depois veio o Mozambique Fashion Week. Participámos, fomos os vencedores na primeira edição. Quando nos separámos, fui vencedora três vezes sozinha do concurso. Desde nunca mais parei.
 
Que projetos tem para o futuro?
Quero criar cá uma escola. Em Macau existe um projeto que se chama CPTT, através do qual eles doam máquinas para fazer formação aqui no mundo da moda. Vão fazer em Angola, pediram para eu começar a investigar para fazermos cá.
 
Está a preparar alguma colecção?
Estou a desenhar a colecção Outono-inverno. Vai chamar-se Bale, My Inspiration. Porque eu estive em Bali e tenho um projeto que ficou semi-parado com uma amiga que veio cá há muito tempo, senegalesa, estilista também, que está a viver em Singapura. Ela já faz carteiras. Compramos agora muito material, capulanas muito bonitas. Vai ser muito preto e cinza.
 
O que se vai usar no Outono-inverno?
Vamos fazer alguma roupa fresca e vamos misturar com algum tecido mais forte, um bocado de lã, mas como detalhe, para não ficar muito pesado. Aqui o inverno não é muito rigoroso, mas queremos pensar em outros mercados, onde faz mais frio.
 
Como está a moda em Moçambique?
Cresceu bastante. Hoje em dia temos muitos estilistas moçambicanos, não só os estabelecidos, como os young designers, que estão a fazer um trabalho muito bonito, de boa qualidade. É uma pena que não tenhamos a faculdade de moda, sente-se essa falta.

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