Massimo Bottura

Um Chef que Gosta de Pensar

Massimo Bottura é um dos grandes nomes entre uma inovadora geração de chefs italianos. Transpondo para os seus pratos a paixão que tem pela arte contemporânea e pela cozinha avant-garde, é na Osteria Francescana ? consecutivamente considerado o melhor restaurante de Itália e um dos melhores do mundo ? que o galardoado chef expressa a sua criatividade em pratos que derivam de premissas conceptuais. Somando hoje três estrelas Michelin, Massimo Bottura vê-se como «um chef que gosta de pensar», tendo plena convicção de que «nada é impossível».

«Revisito receitas e ideias tradicionais e torno-as contemporâneas»

Escondia-se dos irmãos mais velhos sob a mesa da cozinha, de onde espreitava as mulheres da casa em volta do fogão. «Foi aí que a minha paixão pela comida começou, aos pés da minha avó, debaixo de cascatas de farinha e de queijo parmesão ralado», lembra Massimo Bottura.
Depois de abandonar o curso de Direito e de decidir aperfeiçoar a sua veia culinária no primeiro restaurante que abriu, o Trattoria del Campazzo, e com o mestre Alain Ducasse, Bottura inaugura em 1995 a Osteria Francescana, no centro histórico de Modena, com grandes ambições e estrelas Michelin debaixo de olho. Hoje já tem três e é neste restaurante, que entretanto ascendeu a um dos melhores do planeta, que se empenha em devolver ao futuro as raízes e tradições da cozinha italiana ? revestidas de uma boa dose de contemporaneidade. Aliás, é esta a especialidade do chef, que intitula o estilo que emprega na Osteria Francescana de «Tradição em Evolução».
A terceira estrela Michelin é-lhe atribuída em 2012, tornando real o grande sonho de Bottura, mas consciencializando-o para um novo ponto de partida. «Havia ainda tanto para fazer, sonhar, criar e partilhar», revela o chef, o que o leva a renovar a Osteria e a reabri-la de cara lavada no mesmo ano, poucos meses depois de ter aberto as portas do seu segundo restaurante, o Franceschetta 58.
Quase 30 anos passados na cozinha, Massimo Bottura reconhece hoje a importância de «comunicar arte, cultura, ética», vendo-se empenhado, entre outros, num projeto para a Expo 2015 sobre o paradoxo entre o desperdício dos restaurantes e as pessoas que passam fome. Os seus olhos brilham ainda ao falar do espaço que inaugura no mês de Abril em Istambul, o Ristorante Itália, que, embora se trate de um novo modelo, tem o seu sucesso praticamente garantido dado o vanguardismo e a irreverência com que Bottura encara a cozinha italiana e a perseverança com que segue os seus sonhos.

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