Os 'Chamberlains'

António Rebelo de Sousa

Economista

Neville Chamberlain pensava, sinceramente, ser indispensável adoptar uma atitude de alguma tolerância para com Hitler.

Subjacente à sua linha de pensamento estava a ideia de que os britânicos e os franceses tinham ido longe demais na humilhação da Alemanha no final da I Grande Guerra, o que, de alguma forma, justificaria alguns ‘excessos’ cometidos pelos nacionais-socialistas. Os britânicos tinham que reconhecer os erros do passado e uma forma equilibrada de o fazer era optar por uma certa tolerância em relação às manifestações de poder autocrático por parte do novo poder alemão.

Com as devidas distâncias - porque se reconhecem diferenças entre Hitler e outros líderes nossos contemporâneos -, existem, hoje em dia, novos CHAMBERLAINS que pensam que, pelo facto de o Ocidente ter cometido erros no Iraque, na Síria e no Leste Europeu, é preciso contemporizar com um poder autocrático que aspira a restaurar o velho império russo.

A melhor forma de reconhecimento dos erros cometidos no passado seria não adoptar uma postura de intransigência face a alguns ‘excessos’ de Putin.

Nada de mais errado.

Não foi o facto de os britânicos e os franceses terem cometido erros no final da I Grande Guerra (humilhando os alemães) que retirou razão a Churchill.

Não é por se ter cometido erros no passado que se perde legitimidade para se estar do lado da justiça no presente.

Nem mais, nem menos...

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