Luís Carvalho

Um estilo minimal clean, com detalhe

\\ Texto Maria Cruz
\\ Fotografia ©PMC

Luís Carvalho dispõe de um atelier em Vizela e tem a sua marca exposta em lojas multimarcas em Lisboa e no Porto.

 

Desde pequeno, Luís Carvalho brincava, na confecção da mãe, com os tecidos que dali sobravam. Após ter concluído o 9.º ano viu com clareza o que queria ser quando fosse grande: estilista. Tirou a licenciatura em Design de Moda, em Castelo Branco. Exceptuando a época em que teve de ir estudar para fora, Luís Carvalho sempre viveu na sua terra natal, Vizela, cidade do distrito de Braga. Estagiou e trabalhou em Lisboa, depois voltou ao Porto - aqui para trabalhar com a marca de vestuário Salsa -, e continuou a morar no lugar que o viu nascer. Ia e vinha, todos os dias, de Vizela para Ribeirão. Até que decidiu criar a sua própria marca. Era só uma ideia. A mãe, proprietária de uma confecção de malhas, ajudou-o no início com as questões financeiras, porque para o jovem não seria, de todo, fácil abrir uma estrutura como a que dispõe hoje, onde o trabalho por medida requer um público à altura. Em Vizela, o designer de moda preenche o seu tempo com os rascunhos que vai fazendo e as peças que vai criando.

 

Desde muito cedo, Luís Carvalho sentia vontade de vestir bem e de usar coisas diferentes. Talvez esta necessidade se tenha pronunciado mais com influência ‘directa’ da mãe, uma vez que o mundo das malhas sempre se evidenciou na vida do estilista, através do trabalho da progenitora. «Lembro-me, perfeitamente, de que era eu que decidia o que queria vestir, o que a minha irmã ia vestir, no dia seguinte, para levar para escola», recorda Luís, sorrindo. Era ele que tratava dos looks lá de casa. Ajudava a irmã e a mãe a escolher a melhor combinação. Iam às compras juntos. «A minha mãe dizia: calma, isso não é para mim!», conta-nos o designer. E, ao que parece, a mãe estava atenta às sugestões do filho.

Luís sempre teve um lado artístico. Gostava de arquitetura. Em pequeno, desenhava plantas de casas e divisões, mas decidiu seguir o caminho da moda, embora já se falasse de crise na altura. Enfrentou o mundo competitivo do estilismo sempre com o apoio da mãe. «A minha mãe disse: se é isto que queres, então é o que vais fazer! Apoiou-me a 100%», refere Luís, orgulhosamente.

O jovem designer foi voluntário no Moda Lisboa durante duas estações, não na criação, mas na organização do evento. Em 2009, foi estagiar com Filipe Faísca, durante oito meses, e aí aprendeu muito: «Foi a grande experiência que tive com o mundo da moda», diz. Absorveu sempre o melhor de cada um dos lugares onde trabalhou. Por exemplo, «com o Filipe Faísca foi o atendimento ao público, porque o trabalho dele é um bocado semelhante ao meu. Já com o Ricardo Preto foi muito a vertente styling e de produção de moda». 


\\ Fotografia Direitos Reservados

Expôs em Berlim, e Espanha é o mercado que Luís quer conquistar nos próximos tempos. Em 2016 ganhou o prémio de Melhor designer do ano em Portugal.

Há três anos no mercado nacional, com o seu próprio nome, Luís Carvalho conta que o balanço é positivo, que o crescimento tem sido gigantesco e que prova disso é o espaço físico - atelier - aberto ao público, onde a procura tem sido significativa. «Sou muito ambicioso, ando sempre à procura de crescer mais», o que tem levado o designer de moda a estar sempre a pensar em novos projetos, sempre com os pés bem assentes na terra. Com a concorrência lida bem, pois, a seu ver, é isso que o faz ser mais ambicioso, logo, «faz-nos querer fazer mais e melhor». Portugal é um país pequeno, mas há público para todos. Daqui a dez anos, Luís espera mais faturação, reconhecimento e conseguir «alcançar mais público e de alguma forma ter a internacionalização da marca».

Para as colecções inspira-se na natureza. A última de inverno foi inspirada nas paisagens nórdicas. No entanto, e para fugir um pouco a esse registo, na de Primavera-Verão inspirou-se no estilo de Debbie Harry dos Blondie. Rica em cores, ao contrário do habitual. Luís procura trabalhar com tons pretos, brancos, cinzas e cores neutras. Nesta colecção foi além das cores e das texturas. Quando cria sente «entusiasmo», quando desenha só pensa ver as peças «feitas». E, já agora uma curiosidade, o que ele mais gosta de desenhar são casacos!

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